A jornada 6×1 é cruel. E o Brasil já pode fazer melhor.
A jornada 6×1 é cruel. E o Brasil já pode fazer melhor.
Foi impossível não concordar quando ouvi o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, dizer com todas as letras: “O 6×1 é cruel”. Essa frase bateu forte. Porque quem já viveu — ou ainda vive — a realidade de trabalhar seis dias por semana e descansar apenas um sabe o quanto esse modelo desgasta, física e mentalmente.
Durante uma sessão da Comissão de Trabalho na Câmara dos Deputados, Marinho defendeu algo que muitos trabalhadores desejam, mas poucos têm coragem de colocar em pauta: a transição para a jornada 5×2. Cinco dias de trabalho, dois de descanso. Simples, justo, necessário. E mais importante ainda: possível.
O ministro foi direto. Disse que a economia brasileira já está madura para essa mudança. E eu concordo. O país evoluiu, e os direitos trabalhistas precisam evoluir também. Afinal, manter um modelo exaustivo como o 6×1, especialmente em setores como o comércio, é fechar os olhos para o sofrimento silencioso de milhões de pessoas.
Marinho lembrou que nem todas as atividades podem parar, claro. Há setores que precisam funcionar todos os dias, o tempo todo. Mas aí entra a negociação coletiva — a base de qualquer avanço que respeite tanto o trabalhador quanto a operação das empresas.
Outro ponto que me chamou atenção foi o alerta sobre saúde mental. Jornadas excessivas e ambientes de trabalho tóxicos têm adoecido as pessoas. Não dá mais para naturalizar isso. Se queremos uma sociedade mais saudável e produtiva, o tempo de descanso precisa ser respeitado e ampliado.
O próprio presidente Lula já sinalizou apoio ao debate, e há propostas tramitando no Congresso, como a PEC da deputada Erika Hilton. Isso mostra que a discussão deixou de ser utopia para virar projeto concreto.
E num momento em que o governo tenta se reconectar com a população, defender causas como essa — que tocam diretamente a rotina de quem trabalha — pode ser o caminho mais acertado. É hora de colocar na mesa pautas que realmente melhorem a vida das pessoas. Reduzir a jornada de trabalho é uma delas.
Se a economia já permite, se a saúde mental pede socorro, e se a sociedade apoia, o que falta? Coragem política para mudar o que precisa ser mudado. O Brasil está pronto. E eu também.
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