Rússia mira reservas estratégicas de urânio e lítio no Brasil
Rússia mira reservas estratégicas de urânio e lítio no Brasil
O solo brasileiro está no radar de gigantes globais — e a estatal russa Tenex, braço da Rosatom, deixou isso claro nesta quinta-feira (8), ao declarar publicamente seu interesse em investir nas reservas de urânio e lítio do Brasil. A movimentação aconteceu durante reunião com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que cumpre agenda oficial na Rússia ao lado do presidente Lula.
“O Brasil é estratégico e temos confiança no avanço das parcerias em energia nuclear e minerais essenciais como o lítio”, disse Sergey Polgorodnik, CEO da Tenex.
Com 280 mil toneladas de urânio ainda pouco exploradas e uma posição de destaque entre os maiores produtores de lítio do mundo, o Brasil surge como peça-chave na corrida global por energia limpa. O Vale do Jequitinhonha (MG), conhecido como o “Vale do Lítio”, é hoje uma das joias do setor mineral.
O ministro Silveira aproveitou o encontro para reforçar que o governo brasileiro está empenhado em alavancar sua cadeia energética e contribuir com os compromissos de descarbonização. “Temos tudo para sermos líderes nesse setor, e a cooperação com a Tenex acelera nossa capacidade de produção e inovação”, afirmou.
Urânio: do sertão à usina de Angra
Além do interesse no lítio, a parceria entre Brasil e Rússia na área nuclear já está em movimento. Em março, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) firmou acordo com uma empresa do grupo Rosatom para exportar 275 mil quilos de urânio concentrado, extraído em Caetité (BA), para enriquecimento na Rússia. O material retornará ao país até 2027, já processado para abastecer a usina de Angra dos Reis.
A etapa de conversão, que o Brasil ainda não domina, transforma o chamado yellow cake (U₃O₈) em hexafluoreto de urânio (UF₆), essencial para o enriquecimento e produção de combustível nuclear.
O presidente da INB, Adauto Seixas, informou que os trâmites de logística e licenciamento da operação estão em andamento, e que novos contratos serão firmados conforme a produção avance. “É um passo estratégico para garantir o funcionamento da nossa matriz nuclear”, destacou.
Com o avanço das tratativas, Brasil e Rússia reforçam não apenas uma relação diplomática, mas também uma aliança energética que pode reposicionar o Brasil como um player relevante em dois setores vitais para o futuro sustentável do planeta.
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Interessante!