Hugo Motta antecipa votação do IOF e deixa governo Lula sem reação
Hugo Motta antecipa votação do IOF e deixa governo Lula sem reação
Centrão pressiona e governo é pego desprevenido com votação relâmpago
O governo federal foi surpreendido na noite de terça-feira (24) com o anúncio feito por Hugo Motta (Republicanos-PB) de que colocaria em pauta, nesta quarta, a votação do projeto que revoga o decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), assinado pelo presidente Lula no dia 3 de junho. A decisão inesperada desorganizou completamente a articulação do Palácio do Planalto, que esperava mais tempo para negociar com o Congresso.
A publicação feita por Motta no X (antigo Twitter) pegou de surpresa até os parlamentares governistas. Segundo fontes da base aliada, o governo contava com pelo menos duas semanas para dialogar com o Legislativo e tentar encontrar uma alternativa por meio do Ministério da Fazenda. Esse prazo expiraria na próxima sexta-feira, 27, mas a votação antecipada atropelou qualquer plano de reação.
Pior ainda: o cenário é de absoluto pessimismo entre líderes do governo. A avaliação interna é que o decreto do IOF será mesmo derrubado, especialmente porque a sessão de hoje permite votação remota. Muitos deputados não estão presentes em Brasília por causa das festividades de São João, o que favorece o quórum articulado pela oposição.
Líderes do Centrão relataram que, até o momento, o Executivo não demonstrou disposição para discutir medidas de corte de gastos — uma das principais exigências dos opositores ao aumento do IOF. Também irritou setores da Câmara a narrativa, ventilada por bastidores do Planalto, de que a não liberação de emendas parlamentares teria sido o estopim para a rebelião política.
Na semana passada, o governo já havia sofrido um revés ao ver aprovado o regime de urgência da proposta que suspende os efeitos do decreto, por expressiva maioria: 346 votos favoráveis contra apenas 97 contrários.
Agora, a perspectiva de uma nova derrota parece inevitável. O Planalto estuda usar o discurso de que a oposição quer impedir a tributação das apostas online — as chamadas bets — e dificultar o aumento de impostos sobre os mais ricos. No entanto, tal narrativa parece não sensibilizar nem o Congresso nem parte da opinião pública.
— Agora o governo vai ter que se mexer. Vai ter que apresentar medidas efetivas de cortes de despesas — disse um influente deputado do Centrão, sob condição de anonimato.
A situação escancara a fragilidade da articulação política do presidente Lula, que se vê novamente acuado pelo Legislativo e sem força para impedir derrotas estratégicas. Com o avanço do Centrão e o endurecimento da oposição, o governo precisará mais do que discursos para recuperar a liderança no Congresso.
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