Machado de Assis hoje: autores negros debatem literatura e identidade
📚 Machado de Assis hoje: autores negros debatem literatura e identidade ✊🏾🖋️
Machado de Assis, um dos nomes mais emblemáticos da literatura brasileira, foi tema de um potente encontro no Café Literário Pólen, realizado nesta quinta-feira (19). Mediado por Lázaro Ramos, o bate-papo reuniu os escritores Geovani Martins, Eliana Alves Cruz, Tiago Rogero e Lorrane Fortunato para discutir a atualidade da obra de Machado, seu papel como homem negro e os desafios da produção literária negra no Brasil de hoje.
Um espelho da sociedade brasileira
Para Geovani Martins, Machado foi capaz de mapear as engrenagens do Brasil — da elite às mazelas da escravidão — por meio de personagens detestáveis, que até hoje refletem estruturas sociais não desmanteladas.
“É fundamental para conseguirmos desmontar essas engrenagens”, afirmou o autor de O sol na cabeça.
Tiago Rogero lembrou a atuação política de Machado, inclusive com investimentos em um jornal abolicionista e ações diretas para ajudar pessoas escravizadas após a Lei do Ventre Livre.
“Além de ampliar o vocabulário, é uma leitura que ensina como lutar hoje.”
Ser escritor negro no Brasil: bônus e ônus
Lázaro provocou: o que significa se posicionar como autor negro hoje? A questão gerou reflexões profundas.
Eliana Alves Cruz apontou que a cobrança para falar somente sobre raça ainda é comum.
Lorrane Fortunato reforçou:
“Se a sua obra não fala de racismo, é como se você não fosse negro o suficiente.”
Rogero, por sua vez, vê na afirmação racial uma força, citando referências como João do Rio e Flávia Oliveira. A pluralidade também apareceu nas histórias pessoais: Lorrane destacou o incentivo materno mesmo com poucos livros em casa; Eliana falou da raiva ancestral transformada em afeto pela escrita; e Geovani revelou que escreveu seu primeiro livro movido pelo desespero de se ver como mão de obra barata.
“O que me move hoje é construir novas realidades — não ser a exceção”, completou Geovani.
E se Machado visse o Brasil de 2025?
O encerramento veio com uma pergunta provocadora: o que Machado de Assis pensaria do Brasil atual?
Para Rogero, a ausência de negros na Academia Brasileira de Letras já seria um motivo de indignação.
Eliana foi além:
“Ele provavelmente seria cancelado por ‘identitarismo’, por ridicularizar os medíocres no poder — como sempre fez.”
O evento demonstrou que Machado segue mais atual do que nunca, não apenas como escritor brilhante, mas como símbolo de resistência e reflexão para autores negros que hoje constroem novas páginas da literatura brasileira.
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Bom conteúdo 👍
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