Mar pode engolir praias do Rio até 2100, aponta estudo da UFRJ
🌊 Mar pode engolir praias do Rio até 2100, aponta estudo da UFRJ
A paisagem paradisíaca do Rio de Janeiro está sob ameaça silenciosa, mas constante. Um estudo inédito da Coppe/UFRJ projeta que o mar pode avançar até 100 metros sobre as praias da capital fluminense até o fim deste século, colocando em risco locais icônicos como Copacabana, Ipanema, Leblon, Leme e Botafogo. O levantamento, baseado em modelagem hidrodinâmica, revela que esse avanço pode transformar inundações temporárias em fenômenos permanentes.
Copacabana já perdeu 10% da faixa de areia ⛱️
Nos últimos dez anos, Copacabana encolheu — perdeu cerca de 10% de sua faixa de areia devido à erosão costeira, agravada por ressacas e aumento do nível médio do mar. O problema é ainda mais alarmante porque, diferente de praias naturais, o Rio não tem margem para que a areia recue. Os prédios e avenidas à beira-mar impedem essa movimentação natural, tornando a perda de território irreversível em muitos pontos.
O futuro da orla: menos praia, mais mar
As projeções apontam que:
- O nível médio do mar pode subir 0,78 metro até 2100;
- A taxa de elevação no litoral do Rio é de 7,5 mm/ano, acima da média global;
- Em marés altas e ressacas, o mar pode avançar mais 60 metros além do previsto;
- Ipanema, Leblon e Botafogo podem perder até 80 metros de faixa de areia.
Além disso, áreas como a Lagoa Rodrigo de Freitas e o manguezal da APA de Guapimirim também estão sob risco de transformação.
Consequências urbanas e ambientais ⚠️
O impacto vai muito além das paisagens. O estudo alerta para a perda definitiva de áreas urbanas, mudanças no uso do solo, aumento do risco de alagamentos crônicos e danos à infraestrutura pública. O fenômeno pode atingir bairros, estradas, zonas comerciais e redes de esgoto e drenagem.
“O mar vai permanecer por mais tempo nas áreas alagadas. O que hoje é sazonal, será contínuo”, alerta o oceanógrafo Luiz Paulo Assad, coordenador do estudo.
Há saída? Sim, mas exige ação agora 🛠️
O professor Assad propõe um plano de resposta dividido em dois eixos:
- Global: Reduzir as emissões de gases do efeito estufa, seguindo os acordos climáticos;
- Local: Investir em obras de engenharia costeira, como:
- Engordamento artificial de praias (como em Balneário Camboriú);
- Instalação de recifes artificiais para absorver a força das ondas;
- Sistemas de alerta e monitoramento para ressacas e frentes frias.
Porém, ele faz um alerta: “Se ignorarmos o aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos, essas obras podem se tornar inúteis”.
Banhos de mar mais perigosos 🌬️🌊
A mudança na força das marés e correntes já representa riscos aos banhistas, especialmente em praias com bandeiras vermelhas. O estudo aponta que eventos como ondas fortes, ressacas e tempestades tendem a se intensificar com o tempo, tornando a praia um ambiente mais hostil mesmo para o lazer.
Tecnologia de ponta para entender o mar
A pesquisa é pioneira no Brasil ao usar o sistema ROMS (Regional Ocean Modeling System), que simula o comportamento do mar com alto grau de precisão. O cenário adotado (RCP 4.5) representa um caminho intermediário de aquecimento global, nem o mais leve, nem o mais extremo.
“É um alerta técnico e científico para gestores públicos e cidadãos. O futuro do litoral depende de decisões tomadas agora”, reforça Assad.
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta