Entrevista com “O sociólogo Carlos Bruno fala para o site Linkezine sobre trajetória e livros”
Entrevista com “O sociólogo Carlos Bruno fala para o site Linkezine sobre trajetória e livros”
Carlos Bruno é sociólogo formado pela UERJ e servidor público há mais de vinte anos no Governo do Estado do Rio de Janeiro. Na juventude, iniciou sua trajetória na Ordem DeMolay, organização juvenil ligada à Maçonaria. Ao atingir a maturidade, ingressou oficialmente na Ordem Maçônica e, com destaque, tornou-se um dos veneráveismais jovens da tradicional Loja União Escosseza. Agora, lançamos dois novos livros que dialogam com sua experiência, sua visão de mundo e sua capacidade de unir reflexão histórica, social e literária.
Sua trajetória pessoal e profissional une sociologia, serviço público e a vivência na Maçonaria. Como essas experiências se entrelaçam e influenciam a forma como o senhor escreve e interpreta a sociedade?
Carlos Bruno: Fui iniciado na Ordem DeMolay aos 19 anos e já estava “velho”, pois aos 21 nos tornamos seniores, quando passamos a ter a responsabilidade de auxiliar os mais novos. Logo depois, fui iniciado na Loja União Escosseza, aos 25 anos, e aí a experiência foi totalmente diferente, porque eu era muito novo para os padrões típicos da Maçonaria. Portanto, toda a minha trajetória de vida, seja pessoal, profissional ou acadêmica, entrelaça-se com a Ordem. Nesse sentido, percebo que a Maçonaria não é uma caixinha separada do restante da minha vida; ser maçom é parte integrante da minha personalidade, da minha formação. Por exemplo, eu encaro os símbolos maçônicos como categorias ou conceitos, e essa lógica de análise eu sei que veio da minha formação como Cientista Social. De modo semelhante, quando fui Venerável Mestre da União Escosseza, implantei um modelo de gestão com metas e planejamento, que está relacionado com a minha experiência profissional e acadêmica. Então, eu sou uma amálgama de tudo isso o tempo todo.
Sobre “180 anos de participação social”, em seu livro, você mostra que a União Escocesa sobreviveu a diferentes épocas e contextos sociais. O que explica essa longevidade de 180 anos e como ela continua relevante na atualidade?
Carlos Bruno: O livro faz um recorte específico sobre a trajetória da Loja, buscando entender como a LUE atuou socialmente em cada momento histórico — compreendendo as especificidades daqueles momentos — e observando as opções da Loja em cada contexto. O que nos pareceu é que a União Escosseza esteve envolvida diretamente com questões centrais da sociedade brasileira, influenciando e sendo influenciada pelos momentos históricos nacionais. Mas, em todos esses momentos, a Loja fez uma opção que se repete até hoje: ela esteve ao lado dos excluídos, daqueles que precisavam de auxílio. O propósito que moveu os Irmãos da LUE durante o século XIX a libertar escravizados, e que construiu e financiou, no século XX, uma escola profissionalizante, é o mesmo que no século XXI paga cursos para desempregados estudarem para concursos públicos. É exatamente por essa constância de propósito que essa instituição consegue chegar aos 180 anos, pois, diante das conjunturas de cada tempo, adapta suas estratégias, mas mantém o mesmo propósito muito claro.
A obra apresenta a União Escocesa não apenas como uma instituição, mas como a expressão de um propósito maior. Que valores centrais sustentam esse propósito e garantem seu engajamento contínuo?
Carlos Bruno: A LUE é uma Loja maçônica formada durante um período de intensa atividade política da Maçonaria brasileira. Durante os anos de formação da nossa Loja, a Maçonaria brasileira estava profundamente envolvida com a luta pela abolição, com a consolidação de um Estado Nacional laico, com as disputas entre monarquistas e republicanos, entre outros eventos. Naquele momento histórico, a Maçonaria brasileira e a política nacional eram indissociáveis. Isso parece ter forjado na União Escosseza um sentimento de responsabilidade com o Brasil e com os brasileiros. E esse sentimento, forjado durante aquelas lutas, assentou os dois valores políticos centrais da Maçonaria brasileira: ser progressista e evolucionista, cujos fins supremos são a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Portanto, a União Escosseza se mantém viva por seguir buscando o progresso, sendo capaz de reconhecer os desafios específicos de cada momento histórico para alcançar o propósito final da Maçonaria.
Ao narrar a aventura de Tomás e seu bode de pelúcia, o senhor aproxima o universo da imaginação infantil de reflexões sobre amizade, coragem e valores humanos. Qual a mensagem principal que deseja transmitir às crianças com essa história?
Carlos Bruno: O livro “O Mistério do Papai” descreve, de forma lúdica, as experiências que vivi com meu filho quando ele começou a perceber que o pai dele participava de um grupo diferente e não entendia o que eu fazia lá. Meu filho começou a me perguntar sobre a Loja, pensava que eu trabalhava em algum tipo de comércio, que vendia alguma coisa… Isso tudo mesmo ele frequentando o espaço físico da Loja desde muito pequeno — desde a barriga da mãe, na verdade. Então, resolvi eternizar essa experiência, tentando capturar o olhar de uma criança descobrindo e expandindo o mundo ao seu redor e a importância da família nesse processo. Eu não tenho certeza se o livro tem uma “mensagem principal”; acredito que o livro é uma aventura sobre crescer, sobre descobertas, sobre desenvolver a paciência de saber que cada coisa tem seu tempo. É um livro sobre a relação de confiança entre pai e filho, sobre acolhimento, e sobre estar próximo e, ao mesmo tempo, dar espaço para a independência. São muitos elementos que me parecem estar presentes no livro e que talvez sejam uma contribuição para o diálogo sobre ser pai. Além de tudo isso, o livro se propõe a ser uma apresentação dos valores da Maçonaria para todas as crianças e um veículo de conversa para familiares de maçons que, de modo divertido, podem introduzir e dialogar sobre essa organização envolvida em mistérios e muitas histórias.
O livro mistura fantasia e afeto familiar para tratar de temas profundos de forma lúdica. De que maneira a literatura infantil pode ajudar na formação ética e emocional das novas gerações?
Carlos Bruno: A literatura sempre ajudou na formação ética e emocional dos seres humanos, independentemente da idade. Pessoas maduras se beneficiam emocionalmente da leitura, assim como um adolescente formará importantes valores a partir das ideias que encontrará em diversas fontes. Porém, o que chama a atenção, no mundo das redes sociais, das informações rápidas, curtas e vazias, é que o hábito da leitura é ainda mais urgente hoje do que foi no passado, por vários motivos. A leitura permite o desenvolvimento da capacidade crítica, da capacidade de se concentrar, de absorver ideias complexas, pode apresentar o contraditório e abrir perspectivas diferentes das “bolhas” que são formadas pelos algoritmos das big techs. Então, em primeiro lugar, o hábito da leitura, iniciado na infância, poderá formar um adulto com mais competências, emocionais e até mesmo racionais, para lidar com o estranho mundo dos algoritmos secretos e das bolhas nas redes sociais. Agora, independentemente dessa questão utilitária da leitura, ler é gostoso, ler em família é ainda melhor e ler em família sobre a Maçonaria é o máximo, pois é uma possibilidade de aproximar todas as pessoas dessa instituição tão importante para a humanidade, e que guarda e divulga, através do exemplo, valores que podem ajudar a humanidade a superar o esgarçamento dos laços sociais que estamos vivenciando.
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Parabéns pela entrevista 👏👏
entrevista muito interessante 👍
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