🌊♻️ Ciência chinesa transforma CO₂ do oceano em plástico biodegradável
🌊♻️ Ciência chinesa transforma CO₂ do oceano em plástico biodegradável
Nova tecnologia pode reduzir a acidificação marinha e gerar materiais sustentáveis
Os oceanos abrigam uma das maiores reservas de dióxido de carbono (CO₂) do planeta — cerca de 150 vezes mais do que a atmosfera. Esse acúmulo, no entanto, tem um custo alto: a acidificação das águas , uma preocupação que ameaça ecossistemas marinhos e pode desestabilizar cadeias alimentares inteiras. Mas, da China, surge uma ideia ousada: conversor CO₂ oceânico em plástico biodegradável .
Cientistas da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade de Ciência e Tecnologia Eletrônica da China , ambas sediadas em Shenzhen, desenvolveram um processo inovador de Captura Direta do Oceano (DOC) . A proposta vai além de simplesmente retirar o carbono da água — ela o transforma em matéria-prima útil , abrindo caminho para uma economia circular que beneficia tanto o meio ambiente quanto a indústria.
De acordo com o estudo publicado na revista Nature Catalysis , o método utiliza reatores eletroquímicos para acidificar a água do mar e converter o carbono dissolvido em gás puro de CO₂ . Depois, a química natural da água é restaurada antes de ser devolvida ao oceano. O gás capturado passa por um segundo reator, onde um incidente à base de bismuto converte o CO₂ em ácido fórmico , um líquido energético e estável.
A etapa seguinte é o que torna o projeto especialmente promissor: o ácido fórmico serve de alimento para microrganismos marinhos modificados — especificamente para bactérias Vibrio natriegens . Alimentadas apenas com essa substância, elas produzidas ácido succínico , componente essencial para a fabricação do polibutileno succinato (PBS) , um plástico biodegradável amplamente testado como substituto dos polímeros derivados do petróleo.
Os resultados impressionaram. O processo alcançou eficiência de 70% , consumindo cerca de 3 kWh por quilo de CO₂ , o que equivale a um custo estimado de US$ 230 por tonelada de carbono removida — valor competitivo frente às tecnologias atuais de descarbonização.
Ainda há desafios pela frente: a integração do sistema em escala industrial e o aumento da produtividade microbiana são os próximos passos. Mas o avanço sinaliza uma nova fronteira em que a descarbonização se alia à biotecnologia para criar soluções sustentáveis e economicamente viáveis.
Enquanto isso, empresas como a holandesa Brineworks já planejam atingir custos abaixo de US$ 200 por tonelada até 2030 com processos semelhantes baseados em eletrólise. A corrida está lançada — e o oceano, ironicamente, pode ser o novo campo útil para o futuro da química verde.
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