Casa de Cultura do Parque transforma coleção em experiência sensorial no III Ciclo Expositivo
Mostras gratuitas desafiam tempo, som e corpo na arte
Entrar na Casa de Cultura do Parque é aceitar um convite ao deslocamento. Não apenas físico, mas perceptivo. No III Ciclo Expositivo, em cartaz até 1º de março de 2026, a instituição propõe ao público um mergulho em obras que pedem pausa, escuta e atenção prolongada — um gesto quase contracultural em tempos de excesso de estímulos e leituras apressadas.
A programação gratuita reúne três exposições que ocupam diferentes espaços da Casa: “Som e Fúria”, na Galeria; “Balada para um espectro”, no Gabinete; e “Corpo-a-corpo”, no Projeto 280×1020. O ciclo nasce da coleção particular de Regina Pinho de Almeida, fundadora e diretora executiva da Casa, e se estrutura a partir da pluralidade de linguagens presentes no acervo, que ultrapassa 500 obras e inclui trabalhos sonoros, esculturas, livros de artista e publicações experimentais.
Para os curadores Claudio Cretti e Tetê Lian, construir exposições a partir desse conjunto permite romper com formatos curatoriais convencionais. Muitas das obras selecionadas escapam da visibilidade imediata e desafiam classificações rígidas, criando zonas de interseção entre as mostras e propondo novas formas de exibição. Não é a primeira vez que a coleção ocupa esse papel central: em 2019, a Casa abriu suas portas ao público com uma exposição inaugural dedicada ao acervo, então observado como um texto em permanente construção.
Na Galeria, “Som e Fúria” articula automação, movimento e som para refletir sobre tensões da experiência humana. O título dialoga com referências literárias de William Faulkner e William Shakespeare, evocando estados de tumulto e intensidade emocional. Obras de artistas como André Komatsu, Chelpa Ferro e Nuno Ramos exploram a materialidade dos processos semânticos e a sobreposição de elementos como linguagem poética.
No Gabinete, “Balada para um espectro” desloca o olhar para caixas, livros e objetos que expandem o conceito de coleção. Entre os destaques está o histórico Boîte-en-Valise, de Marcel Duchamp, além de trabalhos de Cildo Meireles e Augusto de Campos, que tensionam o estatuto da obra e sua circulação.
Já “Corpo-a-corpo”, no Projeto 280×1020, investiga a presença do corpo na produção contemporânea, atravessada por contextos sociais e culturais. A série Brasília Teimosa, de Bárbara Wagner, sintetiza esse olhar ao registrar gestos cotidianos como afirmação coletiva em territórios marginalizados.
Na fachada, novas bandeiras de Aline Ricci integram o projeto Dando Bandeira, transformando a paisagem urbana com tecidos refletivos e cores de sinalização. Assim, o ciclo se expande para além das salas expositivas, reafirmando a Casa como espaço vivo de experimentação — e como um convite contínuo a ver, ouvir e sentir de outro modo.
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 – Alto de Pinheiros
São Paulo – SP, 05461-010
Quarta a domingo, das 11h às 18h
11 3811 9264
ccparque.com.br
Arte que pede tempo, escuta e presença. Um ciclo para sentir com o corpo inteiro.#ArteContemporanea #CulturaViva
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