Quase 24 anos depois, o passado alcança Sérgio Nahas em cenário de fuga
Empresário é preso na Bahia por assassinato da esposa
Algumas histórias parecem suspensas no tempo, até que um detalhe — uma câmera, um rosto reconhecido, um nome esquecido — as devolve ao presente. Foi assim que, quase 24 anos após o assassinato de Fernanda Orfali, o empresário Sérgio Nahas foi localizado e preso na Bahia, encerrando um longo período de evasão que atravessou décadas, fronteiras e silêncios.
A prisão ocorreu no sábado, em Praia do Forte, no litoral norte baiano. O local carrega uma ironia difícil de ignorar: foi ali que o casal passou a lua de mel antes do crime que mudaria definitivamente o destino de ambos. Hoje com 61 anos, Nahas foi condenado a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado pelo homicídio da esposa, cometido em São Paulo.
O mandado de prisão havia sido expedido pela Justiça em 25 de junho de 2025. Desde então, o empresário passou a integrar a Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localizar foragidos. A inclusão na lista indicava que as autoridades já tratavam o caso como uma fuga prolongada, com possibilidade de deslocamento fora do país.
O desfecho veio por meio da tecnologia. Nahas foi identificado por um sistema de videomonitoramento com reconhecimento facial instalado na Praia do Forte, no município de Mata de São João. A partir do alerta, equipes da Polícia Militar realizaram a abordagem. O empresário estava hospedado em um condomínio de luxo, onde mantinha uma rotina discreta.
Durante a ação, os policiais apreenderam 17 pinos de cocaína, três aparelhos celulares, cartões de crédito, medicamentos de uso contínuo e um veículo de luxo, um Audi. O material recolhido será analisado pelas autoridades competentes, enquanto Nahas permanece à disposição da Justiça para o cumprimento da pena.
O caso reacende o debate sobre a morosidade judicial e a persistência da impunidade em crimes que atravessam anos sem solução definitiva. Também evidencia o papel crescente da tecnologia no rastreamento de foragidos, especialmente em um contexto de mobilidade e identidades diluídas pelo tempo.
Para a família de Fernanda Orfali, a prisão não apaga a violência do passado, mas representa um ponto de inflexão tardio. Para o sistema de Justiça, o episódio reforça que condenações não prescrevem na memória institucional, ainda que levem décadas para se concretizar.
Quase um quarto de século depois, a história retorna ao noticiário não como lembrança distante, mas como um presente incômodo. Um lembrete de que, mesmo quando parece adormecido, o passado pode — e costuma — cobrar seu preço.
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