No rastro do narcotráfico, EUA ampliam ofensiva no Pacífico após captura de Maduro
Ataque a embarcação marca nova fase da estratégia militar
O Pacífico amanheceu sob tensão nesta sexta-feira (23). Em águas abertas, longe das câmeras e dos mapas turísticos, uma embarcação suspeita de transportar drogas foi alvo de um ataque das Forças Armadas dos Estados Unidos. A ação, confirmada pelo Comando Sul, terminou com dois mortos e um sobrevivente em fuga — um episódio que ajuda a desenhar o novo momento da ofensiva americana contra o narcotráfico internacional.
Segundo os militares, informações de inteligência apontavam que o barco navegava por rotas já conhecidas do tráfico no Pacífico Leste e integrava operações criminosas transnacionais. A resposta foi rápida e letal. Os mortos foram classificados pelo Exército como “narcoterroristas”, termo que revela não apenas a gravidade atribuída à atividade, mas também o enquadramento político-militar que os Estados Unidos vêm adotando para esse tipo de operação.
O sobrevivente, cuja identidade não foi divulgada, conseguiu escapar após o ataque e segue sendo procurado. O silêncio sobre a localização exata da ação reforça o caráter estratégico dessas operações, que ocorrem em áreas onde a soberania é difusa e a vigilância internacional, limitada.
O episódio ganha peso simbólico por ser o primeiro ataque oficialmente relatado desde a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, detido por forças americanas em uma operação realizada em 3 de janeiro, dentro da Venezuela. A prisão, tratada como histórica por Washington e controversa por parte da comunidade internacional, parece ter inaugurado uma fase de maior assertividade militar dos EUA na região.
Antes disso, a última ação divulgada havia ocorrido em 31 de dezembro, quando dois barcos foram bombardeados, resultando em cinco mortes. Desde setembro de 2025, o número impressiona: 35 ataques realizados no Pacífico e no Caribe, com um total de 117 mortos. Uma estatística que transforma o combate ao narcotráfico em uma campanha contínua, quase silenciosa, travada longe dos grandes centros de poder.
Especialistas em relações internacionais e direitos humanos observam com preocupação essa escalada. A Organização das Nações Unidas já questionou a legalidade e a proporcionalidade dessas ações, alertando para o risco de execuções extrajudiciais e para a ausência de transparência sobre os critérios usados para definir alvos. Para críticos, a militarização excessiva pode agravar conflitos e empurrar redes criminosas para rotas ainda mais perigosas.
Para os Estados Unidos, porém, a narrativa é de contenção e dissuasão. Ao atingir embarcações em pleno mar, o país sinaliza que não há zonas neutras para o narcotráfico. O Pacífico, vasto e aparentemente infinito, torna-se palco de uma guerra assimétrica, onde inteligência, drones e mísseis substituem tribunais e fronteiras.
O ataque desta sexta-feira não encerra a história. Pelo contrário: ele reforça a sensação de continuidade, de uma estratégia que segue em curso e que promete novos capítulos — igualmente distantes da costa, mas cada vez mais próximos do debate global.
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