INTO aposta em inovação e reforça o SUS com centro pioneiro em ortobiológicos
Nova unidade amplia acesso a terapias ortopédicas menos invasivas
Na rotina silenciosa dos corredores hospitalares, onde o tempo costuma ser medido em filas e recuperações lentas, a inovação chega como uma promessa concreta. Foi nesse cenário que o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) inaugurou, nesta quinta-feira (22), o Centro de Atenção em Ortobiológicos — uma iniciativa inédita no Sistema Único de Saúde (SUS) e carregada de simbolismo para o futuro da ortopedia pública no Brasil.
O novo centro nasce com a missão de integrar pesquisa, assistência e inovação em terapias minimamente invasivas voltadas a doenças ortopédicas, especialmente as articulares, como a osteoartrite. Em vez de grandes cirurgias como primeira resposta, a proposta aposta em tratamentos que aliviam a dor, melhoram a mobilidade e, em muitos casos, adiam ou até evitam a necessidade de próteses.
As terapias ortobiológicas utilizam recursos biológicos para estimular a recuperação do próprio organismo. No contexto do SUS, essa abordagem representa não apenas avanço clínico, mas também uma mudança de lógica: tratar antes que a condição se agrave, reduzindo custos e ampliando o alcance do cuidado. Para o diretor do INTO, José Paulo Gabbi, trata-se de um passo estratégico. Segundo ele, os tratamentos têm potencial para transformar a política pública em ortopedia ao oferecer bons resultados clínicos com menor impacto estrutural.
Durante a inauguração, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o papel da pesquisa como eixo central dessa transformação. Ao consolidar novos protocolos e tecnologias, o INTO passa a se posicionar como referência não apenas nacional, mas internacional, no uso de terapias inovadoras dentro de um sistema público de saúde.
A expectativa é que, com o avanço dos estudos, procedimentos como a proloterapia possam ser incorporados de forma mais ampla à rede pública, ampliando as alternativas terapêuticas para pacientes com osteoartrite do joelho e outras condições degenerativas. O impacto vai além do alívio da dor: reflete diretamente na qualidade de vida e na autonomia dos pacientes.
Paralelamente à inovação clínica, o INTO também reforçou sua capacidade operacional. Mais de 200 novos profissionais de saúde foram incorporados à equipe, permitindo que, pela primeira vez, o Instituto opere com 100% de sua capacidade. A projeção é ambiciosa: saltar de cerca de 7 mil cirurgias realizadas no ano passado para 12 mil até o fim de 2026. Entre tecnologia, pessoas e estratégia, o INTO sinaliza que o futuro da ortopedia pública já começou — e está em movimento.
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