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Menos mortes nas ruas, mais mulheres em risco: o paradoxo da violência no Brasil

Queda nos homicídios contrasta com recorde de feminicídios

Enquanto homicídios caem pelo quinto ano seguido, feminicídios atingem o maior número da série histórica. #Linkezine ⚖️

Os números mais recentes da violência no Brasil contam uma história de contrastes. De um lado, a curva dos homicídios segue em queda, reforçando uma tendência iniciada em 2021. De outro, o país assiste ao avanço silencioso de um crime que resiste às estatísticas positivas: o feminicídio. O balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta terça-feira (20) expõe esse paradoxo e reacende o debate sobre os limites das políticas de segurança pública.

Segundo a pasta, o Brasil registrou 34.086 mortes violentas em 2025, uma redução de 11% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 38.374 casos. Trata-se do quinto ano consecutivo de queda, resultado atribuído à combinação entre políticas públicas de segurança e à diminuição de conflitos entre facções criminosas em diferentes regiões do país. Embora os dados ainda não incluam informações completas de São Paulo e Paraíba referentes ao mês de dezembro, a tendência geral é considerada consistente.

A leitura muda de tom quando o recorte é de gênero. O levantamento aponta 1.470 casos de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. A média é de quatro mulheres assassinadas por dia, dentro de contextos marcados, em sua maioria, por violência doméstica e relações de poder desiguais. Mesmo com o endurecimento da legislação — em 2024, o presidente Lula sancionou a lei que ampliou as penas para feminicídio, fixando punições entre 20 e 40 anos de prisão — os números seguem em alta.

Para André Santos Pereira, delegado de Polícia e especialista em Segurança Pública, o cenário revela falhas estruturais. “É impossível ignorar a gravidade dos dados. O recorde de feminicídios em 2025 reflete uma combinação de fatores, como a morosidade do Judiciário, o sucateamento das forças de segurança e a incapacidade do Estado de garantir recursos humanos e materiais adequados”, afirma o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP).

A análise sugere que a redução da violência letal não atinge todas as dinâmicas criminosas da mesma forma. Enquanto estratégias de repressão ao crime organizado produzem efeitos mensuráveis, a violência de gênero permanece enraizada em estruturas sociais, culturais e institucionais mais difíceis de desmontar. Delegacias especializadas, medidas protetivas e políticas de prevenção ainda enfrentam desafios de implementação e alcance.

O balanço do Ministério da Justiça, portanto, aponta avanços que merecem ser reconhecidos, mas também evidencia um alerta. A queda nos homicídios não pode obscurecer o crescimento de crimes que ocorrem, muitas vezes, longe das estatísticas tradicionais das ruas. O desafio que se impõe é ampliar o olhar da segurança pública para além dos números gerais e enfrentar, com a mesma prioridade, as violências que continuam acontecendo dentro de casa.

 

Menos mortes nas estatísticas gerais, mais alerta para a violência contra mulheres. #SegurançaPública  #ViolênciaContraMulher

 

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