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Fluxos que permanecem: a água como memória viva na Japan House São Paulo

Mostra explora a relação do Japão com a água

A água como memória, técnica e poesia guia a exposição da Japan House São Paulo, agora prorrogada. #Linkezine 💧

 

A água corre, mas também permanece. Em Tóquio, ela escava soluções subterrâneas para conter enchentes; nas montanhas, aquece corpos em fontes termais; na arte, transforma tempo em som e imagem. É essa presença contínua — invisível e essencial — que sustenta a exposição “Fluxos – o Japão e a água”, cuja prorrogação até 5 de abril amplia o convite à contemplação na Japan House São Paulo, na Avenida Paulista.

Visitada por mais de 150 mil pessoas, a mostra ocupa o segundo andar da instituição e propõe um mergulho sensível na relação histórica, cultural e simbólica do Japão com o elemento que atravessa rituais, tecnologias e paisagens. Com curadoria de Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da JHSP, o percurso se constrói como um rio: avança por diferentes camadas, sem perder a coerência do fluxo.

Logo no início, a água surge como engenharia e cuidado coletivo. O Canal Subterrâneo de Escoamento da Área Metropolitana de Tóquio — maior estrutura de desvio de inundações do mundo — exemplifica a capacidade japonesa de dialogar com forças naturais sem negá-las. É a técnica a serviço da convivência, não do confronto. Em paralelo, os diferentes tipos de águas termais revelam propriedades terapêuticas e uma cultura de bem-estar enraizada no cotidiano.

A dimensão histórica aparece na delicadeza de uma gravura ukiyo-e de 1857, de Utagawa Hiroshige, onde a água não é cenário, mas protagonista do tempo que passa. O traço captura o movimento efêmero, lembrando que o fluxo é também uma estética — e uma filosofia.

No campo contemporâneo, a exposição amplia sentidos. Em “Buloklok”, de Tomoko Sauvage, a água se transforma em instrumento sonoro, inspirada em uma clepsidra, o antigo relógio de água. Gotas produzem padrões acústicos que medem o tempo não em números, mas em sensações. Já “Sans room”, de Shiori Watanabe, cria um ecossistema artificial de circulação microbiana, onde a água sustenta a vida em escala microscópica, revelando a complexidade do invisível.

A prorrogação da mostra reforça seu impacto: mais do que observar, o visitante é convidado a desacelerar e perceber a água como elo entre passado, presente e futuro. Em um mundo de escassez e excesso, “Fluxos” propõe escuta, cuidado e continuidade — valores que seguem correndo, mesmo depois da visita.

Um mergulho sensível na relação entre Japão, água e tempo — na Paulista.    #ArteECultura #ExposicaoEmSP

 

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