Sol para uns, ardor para outros: quando a genética dita o limite da pele
Gene MC1R ajuda a explicar queimaduras rápidas ao sol
O verão chega com sua promessa de dias longos, pele à mostra e agendas ao ar livre. Para alguns, o sol é convite ao bronzeado. Para outros, bastam poucos minutos para que a pele arda, fique vermelha e peça socorro. Essa diferença, longe de ser apenas uma questão de hábito ou descuido, pode estar escrita no DNA — mais precisamente no gene MC1R.
Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), entre 10% e 20% da população apresenta algum grau de fotossensibilidade ou reações cutâneas ao sol. No auge do verão, quando a exposição aumenta naturalmente, essas reações se tornam mais evidentes e levantam uma pergunta recorrente: por que algumas pessoas queimam tão rápido?
A resposta passa pela melanina, pigmento responsável pela cor da pele, dos olhos e dos cabelos. É ela também que atua como uma defesa natural contra os raios ultravioleta. O gene MC1R, localizado no cromossomo 16, regula justamente essa produção. Quando tudo funciona dentro do esperado, a pele consegue responder ao sol com mais equilíbrio. Mas variações genéticas podem mudar completamente esse cenário.
“O gene MC1R pode apresentar alterações que reduzem a produção de melanina, aumentando a sensibilidade aos raios UV”, explica o médico geneticista Ricardo Di Lazzaro, fundador da Genera. Uma dessas variações ocorre em um ponto específico do gene, conhecido como SNP rs1805008. Nesses casos, a troca de bases genéticas está associada a menor capacidade de bronzeamento e maior risco de queimaduras solares.
Essas variações são mais frequentes em pessoas de pele clara, que costumam se queimar com facilidade e raramente bronzeiam. Para elas, o sol deixa de ser aliado e passa a exigir atenção redobrada. E isso não significa evitar completamente a luz solar — essencial para processos como a síntese de vitamina D —, mas aprender a se proteger de forma estratégica.
O cuidado começa pelas barreiras físicas. Roupas claras, chapéus, bonés e óculos escuros ajudam a reduzir o impacto direto dos raios solares, especialmente entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa. Tecidos com proteção UV ampliam essa defesa.
O protetor solar segue sendo indispensável. Especialistas recomendam FPS mínimo de 30, aplicado em quantidade adequada e reaplicado ao longo do dia, inclusive em áreas esquecidas como orelhas, pescoço e couro cabeludo.
A alimentação também entra nesse pacto de proteção. Vitaminas C, E e B3 auxiliam na recuperação da pele, enquanto compostos como betacaroteno e licopeno, presentes em cenoura e tomate, contribuem para a saúde cutânea. Hidratação, por dentro e por fora, completa o cuidado.
No fim, entender a própria genética não muda o verão, mas muda a forma de atravessá-lo. Quando o corpo sinaliza seus limites, ouvir é o primeiro passo para conviver melhor com o sol — hoje e nos próximos verões.
Se o sol arde rápido, a resposta pode estar no seu DNA. #SaudeDaPele #Genetica
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