Osesp antecipa 2026 com concertos históricos e olhar latino-americano
Pré-abertura marca gravação inédita e celebra o Sul
Há noites em que a música não apenas soa — ela anuncia ciclos. Nos dias 13 e 14 de fevereiro, a Sala São Paulo se transforma em território de passagem entre o agora e o que está por vir. A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) realiza os concertos de pré-abertura da Temporada 2026, em apresentações que carregam peso simbólico, ambição artística e um sentido claro de pertencimento cultural.
No centro dessa travessia está Daniil Trifonov. O pianista russo, reconhecido mundialmente por sua técnica virtuosa e sensibilidade rara, assume dupla função: solista e regente. Ao lado da Osesp, ele conduz um programa que tem como fio condutor o Sul do continente americano — suas raízes, espiritualidade, ritmos e contradições. O resultado é um repertório que atravessa fronteiras e propõe uma escuta menos eurocêntrica, mais conectada à pulsação do hemisfério sul.
Os concertos também inauguram um capítulo inédito na história da música clássica brasileira. Pela primeira vez, uma orquestra do país grava um álbum para o selo alemão Deutsche Grammophon, referência absoluta no universo sinfônico. Intitulado História Americana: Sul, o projeto é capitaneado por Trifonov e coloca a Osesp em diálogo direto com algumas das mais importantes instituições musicais do mundo.
O ponto de convergência do programa é Cuadros del Sur, obra do venezuelano Gonzalo Grau, criada a partir de A Paixão segundo São Marcos, de Osvaldo Golijov. A composição reimagina a peça sob uma perspectiva latino-americana contemporânea, em que fé, corpo e tradição popular coexistem em tensão criativa. Para Golijov, a releitura de Grau preserva a imaginação sem limites que marcou sua obra original.
Além da peça central, Trifonov apresenta um percurso solo por compositores que ajudaram a moldar a identidade musical da região. Villa-Lobos, Ginastera, Camargo Guarnieri e Ary Barroso dividem espaço com uma composição autoral do pianista, Tango, reforçando o diálogo entre tradição e invenção. Cada obra funciona como fragmento de uma narrativa maior, costurada pela Osesp com precisão e vigor.
Esses concertos não são apenas uma prévia de temporada. São uma declaração de intenções. Ao apostar em repertório latino-americano, parcerias internacionais e gravações históricas, a Osesp reafirma seu papel como instituição viva, conectada ao mundo e às suas próprias raízes. A Temporada 2026 começa antes do calendário — e ecoa muito além da Sala São Paulo.
A música do Sul abre a Temporada 2026 da Osesp em grande estilo. #MusicaClassica
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