Na Paulista, vozes se unem por Orelha e contra a violência animal
Ato cobra justiça e punição após crime em Florianópolis
O domingo amanheceu diferente na Avenida Paulista. Entre passos apressados e o som constante da cidade, um grupo de manifestantes interrompeu a rotina para dar lugar ao silêncio atento de quem veio cobrar justiça. Em frente ao Masp, tutores, ativistas e apoiadores da causa animal se reuniram para lembrar Orelha — um cão comunitário conhecido na Praia Brava, em Florianópolis — e transformar luto em mobilização.
Orelha não era apenas um cachorro. Para moradores e frequentadores da região, era presença constante, símbolo de convivência e cuidado coletivo. Sua morte, após um episódio de violência cometido por quatro adolescentes, atravessou fronteiras e provocou indignação nacional. Diante da gravidade dos ferimentos, o animal precisou ser submetido à eutanásia, decisão que reforçou a sensação de injustiça e urgência por respostas.
Na Paulista, cartazes, camisetas e palavras de ordem deram o tom do ato. Manifestantes e pets — chamados pelos organizadores de “au(tivistas)” — dividiram espaço em uma cena que misturava afeto, revolta e pedido por mudança. A escolha do local não foi aleatória: o coração simbólico de São Paulo serviu como palco para ampliar a visibilidade do caso e pressionar autoridades por responsabilização.
O protesto não se limitou à memória de Orelha. Ele ecoou uma pauta mais ampla, que questiona a naturalização da violência contra animais e a fragilidade da aplicação das leis existentes. Para os participantes, o episódio expõe falhas que vão além de um crime isolado, envolvendo educação, prevenção e políticas públicas voltadas à proteção animal.
Ao longo da manhã, discursos destacaram a importância de tratar casos de maus-tratos com a seriedade que merecem. Ativistas lembraram que a violência contra animais é tipificada como crime no Brasil e pode ser um indicativo de outros comportamentos agressivos, exigindo atenção do poder público e da sociedade.
A presença de cães no ato reforçou a mensagem central: animais não são objetos, mas seres vivos que compartilham espaços, rotinas e vínculos com as comunidades. O silêncio respeitoso em alguns momentos contrastava com os aplausos e gritos por justiça em outros, criando uma atmosfera de vigília e cobrança.
O caso de Orelha segue sob investigação em Santa Catarina, mas o protesto em São Paulo mostrou que a mobilização não se limita ao local do crime. A Avenida Paulista, acostumada a ser termômetro de demandas sociais, voltou a cumprir esse papel. Entre faixas e olhares atentos, ficou a sensação de que a história de Orelha não termina ali — ela segue como símbolo de uma luta que insiste em ocupar as ruas.
Por Orelha e por todos: quando a cidade para para defender quem não pode falar.
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