Caso Orelha: investigação expõe violência e mobiliza Justiça em Santa Catarina
Polícia indicia adultos e pede internação de adolescente
Na Praia Brava, onde o mar costuma ditar o ritmo dos dias, um silêncio diferente tomou conta da comunidade no início de janeiro. Orelha, cão comunitário conhecido por circular livremente entre moradores e comerciantes, desapareceu por dois dias antes de ser encontrado em estado grave. A comoção foi imediata — e agora, semanas depois, ganha contornos judiciais com a conclusão da investigação policial.
Nesta terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina encerrou o inquérito sobre a morte de Orelha e as agressões sofridas por outro cachorro da região, Caramelo. O material será encaminhado ao Poder Judiciário, que dará prosseguimento aos trâmites legais. No caso de Orelha, a corporação solicitou a internação de um adolescente e indiciou três adultos pelo crime de coação a testemunha. Já no episódio envolvendo Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados por maus-tratos.
As investigações ficaram a cargo da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio de uma força-tarefa que reuniu diferentes órgãos de segurança do Estado. O trabalho minucioso revela a complexidade do caso e o esforço para reconstruir, passo a passo, o que ocorreu naquela madrugada.
Para esclarecer a autoria das agressões contra Orelha, a Polícia analisou mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de segurança instaladas na região. Foram ouvidas 24 testemunhas e, ao longo da apuração, oito adolescentes chegaram a ser investigados. Entre as provas reunidas estão roupas identificadas nas filmagens e dados de geolocalização obtidos por meio de um software francês utilizado pela corporação.
Segundo a Polícia, um dos adolescentes afirmou inicialmente não ter saído de um condomínio na Praia Brava. No entanto, imagens mostraram que ele deixou o local às 5h25 e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga, o que contradisse seu depoimento. No mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, o jovem viajou para o exterior, retornando ao Brasil apenas em 29 de janeiro, quando foi interceptado no aeroporto. Um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom que, de acordo com a investigação, teriam sido usados no dia do crime.
A análise dos celulares apreendidos ainda está em andamento e pode reforçar ou ampliar o conjunto probatório. Orelha, que viveu cerca de dez anos na região e era cuidado de forma coletiva, não resistiu às lesões e precisou ser submetido à eutanásia. O caso, que começou como um episódio de violência contra um animal indefeso, agora segue como símbolo de vigilância social e da busca por responsabilização.
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