Entre confetes e cuidados: Carnaval reacende alerta sobre HIV e prevenção
Uso irregular da camisinha preocupa especialistas
Fevereiro chega com calor, ruas cheias e agendas abertas. O Carnaval, uma das maiores expressões culturais do país, transforma cidades inteiras em pontos de encontro, celebração e liberdade. Neste ano, a festa começa no dia 13, mesma data em que se celebra o Dia Internacional do Preservativo — coincidência que reforça um debate que insiste em voltar à pauta: a prevenção ao HIV e a outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Em períodos de intensa circulação de pessoas, viagens e encontros casuais, o risco aumenta quando a informação não acompanha o ritmo da folia. Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que apenas 56,6% dos jovens entre 15 e 24 anos relatam usar camisinha regularmente. O número expõe uma lacuna preocupante entre conhecimento, percepção de risco e prática preventiva, especialmente entre os mais jovens.
Blocos de rua, festas privadas e grandes eventos fazem parte da dinâmica do Carnaval e ampliam a convivência social. Para o infectologista José Pozza, responsável pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Municipal Evandro Freire, esse cenário torna o período estratégico para reforçar orientações claras. O preservativo, lembra o especialista, segue sendo a principal forma de proteção contra o HIV e outras ISTs. Ainda assim, falhas no uso ou a ausência completa do método são mais comuns do que se imagina.
Situações como rompimento ou deslizamento do preservativo exigem resposta rápida. Nesses casos, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação. Existe uma janela de até 72 horas após a exposição para iniciar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), tratamento disponibilizado gratuitamente pelo SUS e capaz de reduzir significativamente o risco de infecção pelo HIV quando iniciado a tempo.
Além da PEP, o sistema público oferece a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), indicada para pessoas em maior situação de vulnerabilidade. As duas estratégias fazem parte da chamada prevenção combinada, que inclui testagem regular, acompanhamento médico e acesso à informação. Nenhuma delas, porém, substitui o uso da camisinha, essencial também para prevenir sífilis e hepatites virais.
Cuidados simples ajudam a evitar falhas: observar a validade, armazenar corretamente o preservativo e usar lubrificante à base de água são medidas eficazes. Em meio à festa, informação também protege. Saber onde buscar atendimento e como agir diante de imprevistos pode transformar decisões rápidas em escolhas mais seguras.
Enquanto o Carnaval segue seu curso vibrante, o desafio permanece: celebrar sem descuidar da saúde. Entre confetes e serpentinas, a prevenção continua sendo parte fundamental do enredo.
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