Entre a areia e o ritmo do verão, o beach tennis cresce — e pede atenção ao corpo
Modalidade conquista o Brasil, mas exige preparo e técnica
A cena se repete em praias e arenas urbanas: raquetes em punho, pés descalços na areia e uma trilha sonora que mistura risadas, música e o som seco da bola. O beach tennis deixou de ser apenas um passatempo de férias para se tornar um dos esportes que mais crescem no país, impulsionado pelo clima tropical, pela socialização fácil e pela promessa de bem-estar com menor impacto articular.
Em 2024, a Confederação Brasileira de Tênis estimava cerca de 1,2 milhão de praticantes no Brasil. O número, ao que tudo indica, já ficou para trás. Novas quadras surgem em clubes, condomínios e espaços públicos, enquanto a modalidade ganha espaço nas redes sociais e na agenda esportiva nacional.
Praticado na areia, o beach tennis melhora o condicionamento cardiorrespiratório, a agilidade, o equilíbrio e a coordenação motora. A superfície instável absorve parte do impacto dos movimentos, reduzindo a sobrecarga em joelhos, tornozelos e coluna quando comparada a pisos rígidos. Essa combinação ajuda a explicar por que o esporte atrai públicos tão diversos, de jovens iniciantes a adultos em busca de atividade física prazerosa.
Mas a leveza aparente engana. As trocas rápidas de direção, os saltos e os golpes acima da cabeça exigem força, resistência e controle corporal. Segundo o fisioterapeuta esportivo Yan Aquino, especialista pela Sonafe Brasil, o esporte traz ganhos expressivos, mas também riscos quando praticado sem preparo. Lesões como epicondilalgia no cotovelo, tendinopatias no ombro e entorses de tornozelo e joelho são comuns e, em geral, estão ligadas à sobrecarga repetitiva, falhas técnicas ou ausência de fortalecimento muscular.
A prevenção começa antes do primeiro saque. Aquecimento com mobilidade articular, ativação muscular e simulação dos gestos esportivos é fundamental. O fortalecimento de grandes grupos musculares — como quadríceps, isquiotibiais, core e manguito rotador — cria uma base mais segura para a evolução no jogo. Ajustes técnicos em golpes como smash, voleio e saque também fazem diferença na proteção do ombro e da coluna lombar.
Fora da quadra, a recuperação completa o ciclo: hidratação, alimentação equilibrada e sono de qualidade ajudam o corpo a responder melhor às demandas do esporte. O acompanhamento profissional, mesmo na ausência de dor, é recomendado, especialmente quando surgem sinais como inchaço, instabilidade ou dor persistente.
O crescimento do beach tennis também passa pelas grandes competições. Eventos internacionais realizados no Brasil, com transmissão ao vivo e ampla cobertura de mídia, ampliam o alcance da modalidade, criam ídolos e estimulam novos praticantes. Nesse movimento contínuo entre lazer, performance e espetáculo, o esporte segue conquistando espaço — desde que o entusiasmo caminhe junto com o cuidado com o corpo.
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