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Dentro das quadras, elas mudam o jogo e desafiam a lógica do esporte

Protagonismo feminino redefine alto rendimento no Brasil

Dentro das quadras, mulheres transformam desempenho em liderança e mudam a lógica do esporte. #Linkezine 💪

Durante décadas, o esporte foi um território desenhado sob regras implícitas que raramente favoreciam as mulheres. As quadras, os campos e os centros de treinamento até aceitavam a presença feminina, desde que ela não ameaçasse estruturas consolidadas. Vencer era permitido, liderar nem sempre. Hoje, esse cenário começa a ruir — não por concessão, mas por desempenho.

O crescimento do esporte feminino de alto rendimento no Brasil não surgiu por acaso. Ele é resultado de um processo longo, marcado por evolução técnica, maior competitividade e mudanças estruturais que vêm sendo percebidas por quem atua diretamente na formação de atletas. As mulheres chegaram mais preparadas, mais estratégicas e, sobretudo, mais conscientes do espaço que ocupam.

Por muito tempo, o desafio não esteve apenas no físico. As atletas precisaram desenvolver resiliência emocional e inteligência de jogo para sobreviver em ambientes que as testavam constantemente. Ainda hoje, mesmo com maior visibilidade, julgamentos seguem atravessando o caminho feminino no esporte — quase sempre ligados ao gênero, não ao desempenho.

A fala de Marta, referência mundial dentro e fora dos gramados, sintetiza esse atraso histórico. Em entrevista à CNN Brasil, em 2020, ao comentar a equiparação salarial anunciada pela CBF, ela foi direta: “Perdemos muito tempo explorando a imagem do futebol feminino de forma positiva para empoderar mulheres e crianças”. Seis vezes eleita a melhor do mundo, Marta representa uma geração que abriu portas para a profissionalização, a visibilidade e o fortalecimento da base feminina.

Os números recentes confirmam essa virada. Na Olimpíada de Paris, em 2024, as mulheres foram maioria entre os atletas brasileiros e responsáveis por 13 das 20 medalhas do país, segundo a Agência Senado. A presença feminina na liderança técnica também avançou: o número de treinadoras dobrou em relação à edição anterior. Ainda assim, o desequilíbrio persiste — para cada treinadora, havia cerca de 7,6 treinadores homens.

Para Paulo Coco, auxiliar-técnico da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei, a transformação já é visível no cotidiano dos treinos. “As atletas chegam extremamente preparadas, focadas e conscientes do próprio papel. Elas sabem que são mais observadas, então treinam mais, se cobram mais e evoluem mais”, afirma.

Além da performance, Coco destaca a capacidade feminina de leitura de jogo, comunicação e liderança emocional dentro da quadra. Muitas vezes, são as próprias atletas que organizam o time sob pressão extrema. Esse comportamento é fruto de um caminho em que provar valor é regra constante.

Nomes como Marta, Milene Domingues e Gabi Guimarães simbolizam essa virada. Elas não apenas vencem: comandam, decidem e inspiram. O esporte, assim, deixa de ser apenas competição e se torna uma vitrine de empoderamento real. Dentro das quadras, elas já mudaram o jogo — e fora delas, o impacto segue em expansão.

 

Elas treinam mais, lideram mais e vencem mais. O jogo mudou.  #EsporteFeminino
#MulheresNoEsporte

 

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