Beijo, sexo e multidões: os cuidados essenciais contra ISTs no Carnaval
Prevenção deve acompanhar o ritmo da folia
O Carnaval é sinônimo de música alta, ruas cheias e encontros que nascem ao som do tamborim. Em meio a abraços, beijos e novas conexões, a festa também expõe um lado menos comentado da folia: o aumento da vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Entre blocos e trios elétricos, especialistas reforçam que a prevenção precisa estar no mesmo compasso da diversão.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 1980 e setembro de 2025, o Brasil registrou mais de 1,1 milhão de casos de aids, com média de 35 mil novos diagnósticos anuais nos últimos cinco anos. Embora haja uma tendência de queda geral, preocupa o crescimento das infecções entre homens de 15 a 29 anos — faixa considerada prioritária nas ações de prevenção.
Para a infectologista Lilha Mata, da SegMedic, o contexto carnavalesco reúne fatores que ampliam os riscos. “Grandes aglomerações, relações ocasionais e consumo de álcool formam uma combinação que pode reduzir a percepção de perigo. A festa não é o problema, mas a ausência de proteção pode ser”, explica.
O uso irregular do preservativo é um dos principais pontos de alerta. Muitas ISTs, como HIV, sífilis, gonorreia, clamídia e hepatites virais, podem permanecer assintomáticas por dias, semanas ou até anos. Isso significa que a transmissão pode ocorrer mesmo quando não há sinais visíveis. O HPV, por exemplo, é altamente transmissível, inclusive na ausência de lesões aparentes.
Entre os sintomas que exigem atenção estão dor ou ardência ao urinar, corrimentos, feridas ou verrugas na região íntima, coceira, ínguas e febre após relações desprotegidas. Ao identificar qualquer alteração, a recomendação é buscar atendimento médico e realizar exames específicos.
A médica orienta que o cuidado deve ser pensado em três etapas. Antes da folia, é importante ter preservativos disponíveis e conhecer as opções de testagem. Durante o Carnaval, o uso de camisinha em todas as relações — inclusive no sexo oral — é fundamental, além de evitar compartilhar objetos íntimos e moderar o consumo de álcool. Após a festa, a testagem é recomendada, especialmente em caso de exposição de risco.
“Atualmente contamos com testes rápidos e estratégias de prevenção pós-exposição. O essencial é não ignorar a situação e procurar orientação profissional”, destaca Lilha.
No meio da multidão, a responsabilidade individual faz diferença coletiva. Informação clara, sem julgamentos, continua sendo a ferramenta mais eficaz para que a alegria do Carnaval não se transforme em preocupação depois que o último bloco passa.
Folia sim. Descuidado, não. Proteção também faz parte do bloco. #SaudeSexual #CarnavalComResponsabilidade
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0


Deixe um comentário