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CCBB celebra Sarah Maldoror em mostra histórica e anticolonial

Retrospectiva reúne 34 obras em SP

Retrospectiva no CCBB destaca o legado anticolonial de Sarah Maldoror e seu pioneirismo no cinema negro. #Linkezine 🎬

 

Ao atravessar as portas do Centro Cultural Banco do Brasil, no coração de São Paulo, o público é convidado a viajar por imagens que não apenas narram histórias, mas confrontam silêncios. A mostra “O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror” inaugura, a partir de 21 de fevereiro, uma das retrospectivas mais abrangentes já dedicadas à cineasta franco-guadalupense no país.

Pioneira entre as mulheres negras atrás das câmeras, Sarah Maldoror (1929–2020) construiu uma obra que atravessa fronteiras geográficas e políticas. Filha de pai guadalupense, nascida na França, ela filmou processos de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, articulando estética e militância. Sua filmografia — mais de quarenta títulos — combina rigor político e lirismo, iluminando subjetividades femininas em meio às lutas anticoloniais.

A programação no CCBB São Paulo apresenta 34 obras, sendo 19 dirigidas por Maldoror e outras assinadas por realizadores que dialogam com sua trajetória. A abertura ocorre com a versão restaurada de “Sambizanga” (1972), premiado no Festival de Berlim e considerado seu trabalho mais emblemático. O longa acompanha a prisão injusta de um militante angolano, expondo as engrenagens da repressão colonial. Após a sessão, Henda Ducados, economista e filha da cineasta, conversa com o público. A primogênita Annouchka de Andrade também participa da programação.

A retrospectiva amplia o olhar ao incluir títulos em que Maldoror atuou como assistente, como “A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo, além de obras que preservam imagens captadas por ela, caso de “Sem Sol”, de Chris Marker. O evento promove ainda diálogos com cineastas negras latino-americanas, como a baiana Safira Moreira, que dirige a leitura dramática de um roteiro inacabado de Maldoror e exibe seu longa “Cais”.

Cursos e debates complementam a agenda, abordando memória, ancestralidade e restauração audiovisual. Para as curadoras Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a mostra integra um movimento internacional de reposicionamento da diretora na história do cinema.

Gratuita e aberta ao público até 22 de março, a retrospectiva reafirma que revisitar Sarah Maldoror é também revisitar o presente. Em tempos de debates sobre racismo, imigração e decolonialidade, suas imagens seguem pulsando — não como arquivo, mas como urgência.

 

Cinema que resiste, memória que ecoa. Sarah Maldoror ocupa o CCBB. 🎥✨  #CinemaNegro
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