Bloco Magnólia retorna às origens e leva o jazz de volta às ruas do Caiçara
Cortejo acontece dia 17, em BH
Na manhã de terça-feira de Carnaval, enquanto Belo Horizonte desperta ao som de tambores e risadas, um cortejo especial promete devolver à cidade um pedaço de sua própria memória. O Bloco Magnólia volta a desfilar na rua que lhe dá nome, no bairro Caiçara, após sete anos ocupando outras vias da região.
Criado em 2013 por frequentadores dos bares da rua Magnólia e do entorno, o bloco nasceu com um propósito claro: descentralizar a folia e oferecer uma experiência diferente dos megablocos da região central. Agora, ao retornar ao seu ponto de origem, reafirma esse compromisso.
“O Magnólia é uma maneira de pensar a celebração pulverizando o público para outros locais. Queremos proporcionar uma outra experiência de Carnaval”, destaca Flávio Maia, um dos organizadores. Segundo ele, a decisão de voltar à rua Magnólia representa mais do que uma mudança de trajeto — é um reencontro simbólico com a identidade do bloco.
Conhecido pelo repertório de jazz na linha Second Line, inspirado nos cortejos de Nova Orleans e no tradicional Mardi Gras, o Magnólia se diferencia pela sonoridade marcada por instrumentos de sopro e uma percussão compacta que remete a uma bateria desmembrada. O resultado é um “carnajazz” vibrante, que mistura tradição internacional com referências culturais mineiras.
O desfile oficial acontece no dia 17 de fevereiro, com concentração a partir das 9h e cortejo às 10h, saindo da esquina da rua Magnólia com a avenida Presidente Carlos Luz, seguindo até a rua Espinosa. Ao longo do percurso, o público poderá sentir a energia de cerca de 50 integrantes entre músicos, corpo de baile, regente, porta-estandarte e equipe de apoio. A expectativa é reunir aproximadamente 15 mil pessoas.
O retorno também carrega homenagens às raízes culturais da região, evocando nomes como Marku Ribas, Dona Ieda e a Folia de Reis da Dona Guidinha. Elementos que reforçam o vínculo entre território, música e memória.
Mais do que um bloco de Carnaval, o Magnólia se consolidou como referência nacional no chamado “carnajazz”, participando de festivais como o I Love Jazz e mantendo atividades ao longo do ano.
Em uma cidade que transformou seu Carnaval em potência cultural, o Bloco Magnólia prova que crescer não significa perder a essência. Às vezes, é preciso voltar para casa para seguir em frente.
O jazz voltou para casa. Terça é dia de Magnólia no Caiçara! 🎺✨ #CarnavalBH
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