Do descanso à imaginação: livros nacionais para ler no Carnaval
Feriado é convite à leitura brasileira
Enquanto os blocos tomam as ruas e os trios elétricos disputam a trilha sonora do verão, há quem escolha outro ritmo para o Carnaval: o das páginas viradas sem pressa. No silêncio da varanda, na rede armada ou no sofá com janela aberta, a leitura se transforma em refúgio — e também em viagem. Para quem quer aproveitar o feriado para colocar os livros em dia, autores brasileiros oferecem histórias que atravessam gêneros, épocas e emoções.
A poesia crítica de Fios da história, de Célio Turino, mergulha em dilemas contemporâneos. Inteligência artificial, imigração e a exaustão do trabalho aparecem como fios que costuram reflexões sobre o tempo presente, ao mesmo tempo em que o autor ilumina personagens anônimos que ajudaram a construir a História longe dos holofotes.
Já em Rabena Karib, Cristina Seixas reconstrói a trajetória de Vittorio, imigrante ítalo-egípcio que chegou ao Brasil com poucos recursos e se tornou referência na alta-costura carioca. Narrada em primeira pessoa, a biografia percorre o século XX sob a perspectiva de quem viveu suas transformações na própria pele.
O suspense ganha espaço em Mortes no sobrado, de Fátima Sá Paraíba. No sertão paraibano, o Inspetor Pingo D’Água investiga mortes cercadas por mistério e elementos que desafiam explicações racionais. É romance policial com atmosfera inquietante, onde realidade e sobrenatural se cruzam.
Em tom mais intimista, Contos para ler em voz alta, de Rafael Nagime, celebra a tradição oral e a memória afetiva. Os textos transitam entre lembranças e conflitos internos, convidando o leitor a revisitar fantasmas pessoais e coletivos.
Para quem prefere não ficção, Atleta corporativo, de Cesar Cotait Kara José, propõe um método que conecta prática esportiva e desempenho profissional, transformando disciplina física em estratégia de gestão. Já As perdas no caminho, de Renata Seldin, apresenta um relato sensível sobre maternidade, luto e ressignificação após perdas gestacionais.
A ficção científica aparece em Benedicite 2 – O novo lar, de Rodrigo Erthal, que acompanha um jornalista envolvido em um segredo extraterrestre, e em A maldição da mandioca, de Thaís Vieira de Souza, ambientado na São Paulo de 3050, onde viagens no tempo revisitam a história brasileira. Para fechar com leveza, O supercão caramelo, de Thiago Yashiki, mistura humor e aventura ao apresentar um herói improvável nas ruas do Rio.
Entre fantasia, memória e crítica social, a literatura nacional prova que o Carnaval também pode ser celebrado em silêncio — com a imaginação em desfile contínuo.
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