Congresso do Peru destitui José Jerí e amplia ciclo de instabilidade
País ficará mais de 24h sem chefe de Estado
Lima amanheceu sob mais um capítulo de incerteza política. Em uma sessão marcada pela pressa e pelo embate retórico, o Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente interino José Jerí por “má conduta funcional” e “falta de idoneidade” para exercer o cargo. A decisão aprofunda a crise institucional que há anos molda o cenário político do país andino.
Jerí, de 39 anos, tornou-se o sétimo chefe de Estado em uma década — um dado que, por si só, ilustra a volatilidade do poder no Peru. Ele havia assumido a Presidência em outubro de 2025, na condição de presidente do Congresso, após a destituição de Dina Boluarte. Seu mandato iria até julho, com a missão de conduzir o país até as eleições gerais previstas para 12 de abril.
A vacância foi declarada após votação que exigia ao menos 58 votos favoráveis. O anúncio coube ao presidente interino do Legislativo, Fernando Rospigliosi, que informou que um novo chefe do Congresso será eleito na quarta-feira (18) e assumirá automaticamente a Presidência interina até o fim do mandato constitucional.
Até lá, o Peru permanecerá mais de 24 horas sem chefe de Estado — situação inédita na história recente do país.
A queda de Jerí ocorre em meio a duas investigações do Ministério Público por suposto tráfico de influência. Uma delas envolve um encontro reservado com um empresário chinês; outra apura possível interferência na contratação de nove mulheres para cargos no governo. O agora ex-presidente nega irregularidades. “Tenho plena suficiência moral para exercer a Presidência”, afirmou dias antes da votação.
Do lado de fora do Congresso, pequenos grupos de manifestantes pediam sua saída. No plenário, parlamentares de diferentes espectros políticos justificaram a decisão como correção de um “erro”. Críticos apontaram falhas na condução da segurança pública e o agravamento dos índices de violência.
Analistas, porém, veem o movimento com cautela. Para o cientista político Augusto Álvarez, a troca constante de presidentes não resolve a crise estrutural marcada por fragmentação partidária e desconfiança institucional. A destituição ocorre em plena campanha eleitoral, com mais de 30 candidatos na disputa, o que adiciona tensão ao ambiente político.
Desde 2016, o Peru vive um conflito persistente entre Executivo e Parlamento. Em dez anos, apenas um presidente completou o mandato. A saída de Jerí reforça a sensação de instabilidade permanente — um país que troca líderes com rapidez, mas ainda busca estabilidade.
No horizonte, eleições e incertezas. A política peruana segue em movimento, sem promessas de calmaria imediata.
Peru troca de presidente mais uma vez — e a instabilidade segue no centro do debate. #Peru
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