Operação delicada salva jubarte enredada no litoral de Ubatuba
Instituto Argonauta remove rede de 2 metros
O mar amanheceu calmo no litoral sul de Ubatuba, mas havia tensão sob a superfície. Uma baleia-jubarte juvenil, já conhecida pela equipe técnica que a monitorava, permanecia em águas rasas, com movimentos lentos e sinais visíveis de debilidade. O escore corporal magro e a baixa reatividade indicavam que algo não estava bem. Havia dias, registros apontavam a presença de um petrecho preso à região da boca.
Na manhã da nova vistoria, o Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha retornou ao ponto com embarcação própria e estrutura adequada. A confirmação veio rapidamente: um emaranhado de rede com cerca de dois metros atravessava a boca do animal e seguia até a nadadeira peitoral esquerda. O quadro exigia precisão.
Antes de qualquer ação, a equipe avaliou condições ambientais, comportamento da baleia e segurança operacional. O desenredamento de grandes cetáceos é uma operação de alta complexidade, especialmente quando o indivíduo já apresenta sinais clínicos preocupantes. A decisão de intervir segue protocolos técnicos rigorosos e autorizações específicas previstas na legislação ambiental.
Com posicionamento estratégico da embarcação e manobras calculadas, o grupo conseguiu remover o material logo nas primeiras tentativas. Novos registros visuais e por imagem descartaram a presença de outros cabos ou resíduos presos ao corpo do animal.
Para Hugo Gallo Neto, oceanógrafo, presidente do Instituto Argonauta e diretor-executivo do Aquário de Ubatuba, cada operação exige cautela extrema. “A intervenção só ocorre quando há viabilidade técnica e condições seguras. Conseguimos eliminar um fator adicional de estresse que poderia agravar o estado da baleia”, afirmou.
A instituição reforça que a aproximação de embarcações e pessoas a cetáceos é regulamentada no Brasil. Cercar o animal, entrar deliberadamente na água ou reduzir excessivamente a distância são práticas proibidas e arriscadas — tanto para a fauna quanto para humanos, sobretudo em casos de indivíduos debilitados.
Criado pelo Aquário de Ubatuba e vinculado ao Projeto de Avistamento e Monitoramento de Animais Marinhos Argonauta (AMMA), o Instituto segue acompanhando o estado da jubarte. No horizonte, a esperança é que, livre da rede, ela recupere força suficiente para retomar seu caminho em mar aberto.
Entre ondas e silêncio, a operação lembra que conservação marinha exige vigilância constante — e decisões firmes no momento certo.
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