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STJ autoriza cultivo de cannabis medicinal e impulsiona nova fase de profissionalização no setor

Associações buscam espaço na regulamentação

Decisão do STJ sobre cultivo de cannabis medicinal impulsiona regulamentação e formação profissional no setor. Educação surge como novo pilar do mercado. #Linkezine 🌿

 

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autorizou o cultivo de cannabis para fins medicinais no Brasil abriu uma nova etapa no debate sobre saúde, regulação e mercado. Mas também acendeu controvérsias. Ao determinar que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Anvisa regulamentem a produção industrial, o julgamento deixou de fora, inicialmente, as associações de pacientes — protagonistas históricos da pauta.

O tema voltou à mesa após a posse de Thiago Campos na quinta diretoria da Anvisa, em setembro. Em diálogo com entidades sem fins lucrativos, o diretor sinalizou a necessidade de mais tempo para construir uma regulamentação que contemple todos os setores envolvidos. A movimentação reacendeu expectativas de que pacientes e associações tenham voz ativa no desenho das novas regras.

Enquanto o debate institucional avança, o mercado começa a se reorganizar. A regulamentação do cultivo abriu espaço para um movimento inédito: a profissionalização da mão de obra no setor da cannabis medicinal. Para Paula Cardoso Zomignani, presidente da associação Accura, o momento exige preparo técnico e responsabilidade.

“Essa indústria precisa de mão de obra, e ainda não existe. Queremos estar de mãos dadas com a indústria, formando pessoas conscientes, que entendam da planta e da história dela”, afirma.

Fundada em 2017, a Accura nasceu da necessidade familiar. Paula e outros membros começaram produzindo óleo artesanal para atender demandas próximas. Com o tempo, organizaram mutirões para ensinar cultivo e orientar pacientes sobre medicina canabinoide. A prática evoluiu para metodologias próprias e até a publicação de um livro sobre extrações em baixas temperaturas.

Agora, a associação prepara o lançamento de uma escola voltada à formação técnica e à educação sobre cannabis, previsto para o primeiro semestre de 2026. O projeto terá cinco frentes: formação do paciente, associativismo, cultivo, extrações e mercado de oportunidades. A proposta é híbrida, com aulas online de alcance nacional e workshops presenciais na sede da entidade, que conta com estrutura de cultivo e laboratório — uma espécie de mini fazenda urbana em pleno ambiente urbano.

“Queremos preparar desde o paciente que busca autonomia até o profissional que vai atuar no laboratório ou no campo. É um oceano azul, mas precisa ser navegado com conhecimento”, resume Paula.

Entre decisões judiciais e novas iniciativas educacionais, o Brasil entra em uma fase decisiva para a cannabis medicinal — em que regulamentação, ciência e capacitação caminham lado a lado.

 

Cannabis medicinal entra em nova fase: regulamentação, mercado e educação caminham juntos.

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