Condenação dos Brazão marca virada histórica no caso Marielle
Família fala em justiça e resposta ao deboche
Na tarde desta quarta-feira (25), o plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal transformou anos de perguntas em sentença. Por unanimidade, os ministros condenaram os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por mandarem matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, executados em 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. O julgamento foi acompanhado com expectativa por familiares e por movimentos que, desde então, cobram respostas.
Para Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, a decisão representa mais do que o desfecho de um processo criminal. “Isso hoje também é um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã, que tratava como só mais uma ou falava em mimimi sobre Marielle”, declarou. Segundo ela, a condenação simboliza um enfrentamento à violência política de gênero e raça no país. “A estrutura que levou minha irmã a ser assassinada precisa ser enfrentada. É urgente.”
A mãe da vereadora, Marinete da Silva, classificou o momento como histórico. “É um alívio. A pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje temos uma resposta”, afirmou. A família reforçou que seguirá mobilizada para preservar a memória da parlamentar e cobrar a responsabilização integral dos envolvidos.
Além dos irmãos Brazão, o STF fixou penas para outros réus: Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, foi condenado a 18 anos de prisão; o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira recebeu pena de 56 anos; e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor, foi condenado a 9 anos. Também foram aplicadas multas e determinada a perda de funções públicas, incluindo a expulsão de cargos policiais.
Os ministros estipularam ainda indenização total de R$ 7 milhões: R$ 3 milhões para a família de Marielle, R$ 3 milhões para os familiares de Anderson Gomes e R$ 1 milhão para a assessora Fernanda Chaves, sobrevivente do atentado.
Sete anos após o crime que repercutiu internacionalmente, a sentença consolida uma etapa decisiva no caso. Para a família, o julgamento não encerra a dor, mas reafirma que a busca por justiça pode atravessar o tempo — e deixar registrada, nos autos e na história, uma resposta formal à violência política que marcou o país.
Após anos de espera, a Justiça dá uma resposta ao país. #MarielleFranco
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