Fiocruz lança rede inédita para vigilância digital e prevenção ao feminicídio
Centro na Amazônia une dados e ação
Às vésperas do 8 de março, data que convoca reflexão e mobilização, a Fiocruz transforma debate em estrutura concreta. Na próxima sexta-feira (6/3), a instituição realiza o Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, marco do lançamento da Rede de Observatórios Vigifeminicídio e da entrega do primeiro centro de inteligência epidemiológica do país dedicado exclusivamente ao monitoramento desses crimes.
Instalado no Prédio Rio Solimões, na Fiocruz Amazônia, o espaço físico passa a abrigar um observatório com tecnologia da informação e protocolos específicos para acompanhar assassinatos de mulheres na Amazônia Ocidental. A iniciativa articula núcleos em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Boa Vista (RR), além de uma frente no Rio de Janeiro (RJ), formando uma rede que conecta diferentes territórios sob a mesma estratégia de vigilância digital.
Coordenada pelo pesquisador Jesem Orellana, do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi), a Rede Vigifeminicídio nasce com a proposta de produzir dados robustos e independentes, capazes de subsidiar políticas públicas. “A ideia é reunir observatórios, movimentos sociais e órgãos públicos para apresentar resultados e fortalecer a atuação interinstitucional”, afirma Orellana.
Durante o seminário, que ocorre das 9h às 17h, será apresentado o FemiBot, sistema desenvolvido para capturar e armazenar dados online sobre assassinatos femininos com uso de estratégias tecnológicas avançadas. A proposta é oferecer uma metodologia padronizada, de baixo custo e replicável, ampliando a capacidade de análise e disseminação de informações em tempo oportuno.
A iniciativa ganha relevância em um contexto recente de mudança legislativa. A Lei 14.994/2024 consolidou o feminicídio como tipo penal autônomo, com pena que pode chegar a 40 anos. Ainda assim, especialistas alertam para desafios na identificação e registro dos casos. Para Stefanie Lopes, diretora da Fiocruz Amazônia, há situações em que mortes de mulheres não são reconhecidas como feminicídio, o que contribui para subnotificação e dificulta respostas eficazes.
Ao integrar ciências humanas, saúde pública e engenharia da computação, a rede aposta em uma abordagem interdisciplinar para mapear circunstâncias, padrões e lacunas. Mais do que números, o projeto busca iluminar histórias invisibilizadas e transformar evidências em ação.
No calendário simbólico de março, a Fiocruz sinaliza que enfrentar a violência de gênero exige método, cooperação e compromisso contínuo. A rede começa na Amazônia, mas nasce com vocação nacional — e com a ambição de tornar cada dado um passo na prevenção.
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