Dólar dispara com tensão entre EUA e Irã e tem maior alta em dois meses
Escalada geopolítica pressiona mercados
O pregão desta terça-feira (3) foi marcado por tensão no ar — e nos gráficos. O dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,2639, com alta de 1,91%, o maior avanço percentual diário desde dezembro. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã funcionou como gatilho para um movimento clássico de aversão ao risco, que reverberou nos mercados globais e atingiu em cheio moedas emergentes como o real.
A sessão foi volátil. No início da tarde, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,3444, acumulando pico de 3,47%, enquanto a bolsa brasileira operava nas mínimas do dia. Ao longo das horas, perdeu parte da força, mas manteve ganho expressivo. No mercado futuro, o contrato para abril avançava 1,67% no fim do dia, negociado a R$ 5,3035.
O pano de fundo é a crescente tensão no Oriente Médio. Uma autoridade da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o país pode atacar embarcações no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Em resposta, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que seria “tarde demais” para negociar. O impasse elevou os preços do petróleo e acendeu alertas sobre inflação global.
Com o barril em alta, investidores reduziram exposição a ativos considerados arriscados. A lógica é conhecida: vende-se emergente, compra-se proteção. “É o movimento clássico de aversão ao risco”, avaliou Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. Segundo ele, o mercado reverteu a recente inclinação mais otimista que havia levado o dólar à casa dos R$ 5,13.
No Brasil, o cenário foi agravado por disparos de ordens de stop loss, que ampliaram a pressão compradora. Investidores que apostavam na queda da moeda precisaram recomprar dólares para encerrar posições, intensificando o movimento. As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) também subiram, refletindo a busca por segurança e a revisão das expectativas sobre juros.
Apesar do salto desta terça, o dólar ainda acumula queda de 4,10% em 2026. Analistas ponderam, no entanto, que a imprevisibilidade do conflito dificulta projeções de curto prazo. Em momentos como este, o mercado reage mais ao risco do que aos fundamentos.
O cenário segue aberto — e o câmbio, sensível aos próximos capítulos.
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