Mulheres avançam na liderança, mas ainda enfrentam barreiras no Brasil
Executivas compartilham desafios e aprendizados
Em salas de reunião cada vez mais diversas, a presença feminina cresce — mas ainda não na velocidade desejada. Dados divulgados pelo LinkedIn em 2025 apontam que mulheres ocupam 31,8% dos cargos de liderança no Brasil, embora representem 43,4% da força de trabalho. O país aparece na 29ª posição global em representatividade feminina em postos de gerência, um retrato que revela avanços, mas também lacunas persistentes.
Nesse cenário de transformação estrutural e mudança de mentalidade, histórias individuais ajudam a compreender os bastidores dessa ascensão. Para além dos números, são trajetórias marcadas por reinvenção, resistência e, sobretudo, propósito.
Aos 80 anos, Sônia Ramos simboliza a força da maturidade no empreendedorismo. Fundadora da Casa de Bolos, ela iniciou o negócio aos 64, após o filho caçula perder o emprego. O que começou como alternativa para complementar a renda tornou-se uma rede com mais de 600 unidades no Brasil e presença em Lisboa. Sônia destaca que a experiência de vida trouxe serenidade para enfrentar a desconfiança inicial sobre a viabilidade de produzir bolos caseiros em escala. Hoje, a marca projeta faturamento de R$ 800 milhões em 2026, consolidando um império construído com receita simples e visão estratégica.
Se a maturidade foi aliada para Sônia, para Camila Miglhorini, CEO da Mr. Fit, a virada veio pela saúde mental. Após enfrentar dois episódios de burnout, ela redefiniu prioridades. Fundadora da rede pioneira em fast-food saudável no Brasil, criada em 2011 com investimento inicial de R$ 45 mil, Camila comanda atualmente mais de 880 unidades em 26 estados e operações internacionais. A executiva afirma que a alta performance só é sustentável com equilíbrio: meditação diária, exercícios físicos e tempo de qualidade com a família tornaram-se parte inegociável de sua rotina.
Já Valquíria de Marco transformou uma viagem à França em negócio pioneiro. À frente da Le Petit Macarons, dedicou mais de um ano a testes até adaptar o doce francês ao paladar brasileiro. Persistência foi a palavra-chave diante de um mercado que ainda desconhecia o produto. Hoje, a rede soma 28 unidades e mira expansão internacional, prova de que paciência e consistência são ativos estratégicos.
As três histórias convergem em um ponto: liderança feminina não é apenas ocupar espaço, mas redefinir a forma de exercê-lo. Em um ambiente corporativo que começa a valorizar propósito e visão de longo prazo, essas executivas mostram que resultados sólidos podem caminhar ao lado de maturidade, equilíbrio emocional e perseverança. O avanço é real, mas o caminho — como indicam os dados — ainda pede continuidade.
Elas lideram, reinventam e persistem. A liderança feminina no Brasil avança — e transforma o jogo. #EmpreendedorismoFeminino #MulheresNaLiderança
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