Dinheiro em tempo real exige nova lógica de regulação globa
Especialistas debatem inovação e segurança financeira
O dinheiro já não percorre o caminho lento de antes. Hoje ele atravessa aplicativos, plataformas e sistemas conectados em questão de segundos, movendo economias inteiras em tempo real. Essa velocidade revolucionou a forma como pessoas pagam, investem e consomem serviços financeiros. Ao mesmo tempo, abriu uma nova frente de desafios: quanto mais rápido circula o capital, maior também pode ser a velocidade de um erro, de um ataque cibernético ou de uma fraude digital.
Essa foi a premissa central do painel sobre concorrência, segurança e inovação na digitalização do sistema financeiro, realizado durante o Regulation & Investment, evento do Dinter na Goethe-Universität Frankfurt am Main, na Alemanha. O encontro reuniu representantes do setor bancário, reguladores e especialistas internacionais para discutir como equilibrar avanço tecnológico, proteção ao consumidor e estabilidade do sistema.
Entre os participantes estavam Isaac Sidney Menezes Ferreira, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban); Florian Toncar, ex-secretário de Estado Parlamentar do Ministério Federal das Finanças da Alemanha; Rafael Furlanetti, presidente da Ancord e diretor institucional da XP Investimentos; Samira Maleki, secretária-geral do International Bankers’ Forum (IBF); e Ana Carla Abrão, CEO da Open Finance Association. A conversa foi moderada por Júlio Bueno, vice-presidente do Banco Bradesco.
Um dos pontos recorrentes do debate foi a transformação dos riscos no ambiente financeiro digital. Com fronteiras cada vez mais difusas entre bancos tradicionais, fintechs e empresas de tecnologia, os modelos clássicos de supervisão — historicamente focados em crédito e liquidez — já não são suficientes. Hoje, entram na equação fatores como falhas operacionais, ataques cibernéticos e danos reputacionais que podem se espalhar rapidamente por toda a rede.
Isaac Sidney destacou que o crime financeiro também mudou de escala, passando a operar de forma transnacional e altamente tecnológica. Para ele, a regulação precisa ser adaptativa e acompanhar a dinâmica dos riscos sem sufocar a inovação ou estimular comportamentos imprudentes no mercado. “A regulação não pode correr atrás da crise. Ela precisa ser capaz de enxergá-la antes”, afirmou.
No campo da inovação, o avanço do open finance foi citado como exemplo de transformação estrutural. Para Ana Carla Abrão, a abertura e compartilhamento de dados ampliam a competição e a personalização de serviços, mas exigem mecanismos contínuos de proteção, como regras claras para agregadores de dados e padrões de segurança capazes de mitigar fraudes.
O debate também evidenciou diferenças entre os desafios enfrentados por Brasil e Europa. Enquanto o mercado brasileiro busca consolidar salvaguardas em um sistema digital já amplamente adotado, reguladores europeus discutem como evitar que o excesso de normas inviabilize iniciativas ainda em fase inicial.
No pano de fundo, há uma constatação compartilhada: a digitalização financeira não respeita fronteiras. Como resumiu Samira Maleki, sistemas baseados em inteligência artificial e transações globais instantâneas exigem diálogo entre países. Em um mundo onde o dinheiro viaja na velocidade da tecnologia, a regulação precisa aprender a acompanhar o mesmo ritmo.
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