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Do “Sanduíche-íche” à zoeira política: exposição transforma memes em arte no CCBB BH

Mostra reúne 800 criações da cultura digital

Exposição inédita no CCBB BH transforma memes em arte e analisa o humor digital como linguagem cultural e política no Brasil contemporâneo.
#Linkezine 😄

Quem passa diariamente pelas redes sociais talvez não imagine que aquelas imagens rápidas, compartilhadas em segundos, já fazem parte de um dos fenômenos culturais mais expressivos do século XXI. Em Belo Horizonte, essa linguagem ganha agora espaço de museu. A partir de 28 de março, o CCBB BH recebe a exposição “MEME: no Br@sil da memeficação”, primeira grande mostra dedicada ao universo dos memes no país.

A exposição, que segue até 22 de junho, reúne mais de 800 criações assinadas por cerca de 200 artistas e produtores de conteúdo. O projeto já passou por temporadas de sucesso em São Paulo e Brasília e chega à capital mineira com a proposta de investigar o meme não apenas como piada viral, mas como ferramenta de crítica social, memória coletiva e produção estética.

Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, e colaboração do perfil @newmemeseum, a mostra mergulha na cultura digital brasileira a partir de referências que atravessam gerações. Entre elas, fenômenos virais como o clássico “Sanduíche-íche”, bordões que circularam pela televisão e a criatividade espontânea que hoje domina timelines e grupos de mensagens.

Para os curadores, compreender o Brasil contemporâneo passa necessariamente por entender a lógica dos memes. Mais do que reproduzir a realidade, eles ajudam a construí-la — sintetizando opiniões, ironizando acontecimentos e criando símbolos que rapidamente se transformam em linguagem coletiva.

A exposição ocupa o pátio e o terceiro andar do CCBB BH, com cenografia imersiva e múltiplas linguagens artísticas: vídeos, esculturas, neons, pinturas, instalações sonoras, roupas, quadrinhos e experiências interativas. A ideia é mostrar como o meme atravessa fronteiras entre o digital e o físico, aproximando internet, arte contemporânea e cultura popular.

O percurso da mostra é dividido em cinco núcleos temáticos, além de prólogo e epílogo. Um dos destaques iniciais é “Alisa meu pelo”, espaço inspirado no meme da onça da nota de 50 reais, que viralizou ao transformar o símbolo de poder do animal em um gesto carinhoso e irônico. No ambiente expositivo, esculturas de onça convidam o público ao toque e à interação.

Ao longo da visita, o público percorre temas como os jogos linguísticos dos memes, o protagonismo de criadores independentes nas redes, a cultura da autoperformance digital e o papel do humor nas disputas políticas contemporâneas. O diálogo reúne nomes consagrados da arte brasileira, como Anna Maria Maiolino, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores da internet, como Blogueirinha, Porta dos Fundos e John Drops.

No fim do trajeto, uma pergunta permanece aberta: afinal, o que é um meme? A exposição sugere que talvez não exista uma resposta definitiva. Mutáveis, rápidos e irônicos, eles continuam se reinventando — e, enquanto circulam pelas telas, ajudam a narrar o Brasil em tempo real.

 

 

Do viral ao museu. O Brasil dos memes agora ocupa o CCBB BH — e prova que a zoeira também conta a história do país.   #CulturaDigital  #MemesBrasil

 

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