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Entre intenção e prática: por que a moda sustentável ainda avança devagar

Desinformação trava consumo consciente no Brasil

Mesmo com alto interesse dos brasileiros, a desinformação ainda dificulta a adoção da moda sustentável no dia a dia. Especialista aponta caminhos práticos para mudar hábitos.
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A ideia de consumir moda de forma mais responsável nunca esteve tão presente no discurso dos brasileiros. Nas redes sociais, em campanhas de marcas e até nas conversas cotidianas, a sustentabilidade virou palavra-chave. Ainda assim, entre o desejo e a prática existe um intervalo considerável.

Dados do Sustainability Sector Index (SSI), da Kantar, ajudam a explicar esse cenário: 87% dos brasileiros afirmam querer adotar hábitos mais sustentáveis, mas apenas 35% realmente colocam essa intenção em prática no momento da compra. No universo da moda, essa distância revela um desafio que vai além do preço ou da disponibilidade de produtos.

Para Monika Debasa, professora do curso de Moda da Faculdade Santa Marcelina, a principal barreira ainda está na circulação restrita de informações. Segundo ela, muito do conhecimento sobre consumo consciente permanece concentrado em nichos específicos, dificultando que práticas sustentáveis se tornem acessíveis para um público mais amplo.

A especialista explica que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência. Hoje, ela já funciona como um critério de escolha para parte significativa dos consumidores, especialmente entre os mais jovens. “Há diversos estudos mostrando que a geração Z demonstra maior predisposição a consumir moda sustentável, o que também estimula o surgimento de novos modelos de negócios”, observa.

Mesmo assim, transformar intenção em atitude exige mudanças simples, mas consistentes.

Uma delas está na compreensão de que existem diferentes formas de consumir moda de maneira sustentável. Peças com certificação ambiental ou rastreabilidade completa costumam ter custos mais elevados, mas isso não significa que práticas conscientes sejam inacessíveis. Comprar roupas de segunda mão, alugar peças para ocasiões específicas ou apostar no upcycling — técnica que reaproveita materiais para criar novos produtos — são alternativas que ajudam a reduzir impactos ambientais.

Outro ponto importante está no tempo de uso das roupas. Debasa lembra que boa parte do impacto ambiental da moda ocorre durante a vida útil das peças. Lavar roupas com menos frequência, seguir instruções de conservação e prolongar o uso são atitudes capazes de reduzir significativamente o consumo de água e energia.

Há ainda um fator comportamental: a compra impulsiva. Influenciada principalmente pelas redes sociais, ela muitas vezes resulta em roupas pouco utilizadas. Uma solução simples é revisar periodicamente o guarda-roupa e experimentar novas combinações com o que já se tem — exercício que, além de sustentável, fortalece a criatividade pessoal.

Por fim, a professora alerta para o greenwashing, prática em que empresas promovem produtos como sustentáveis sem apresentar comprovação real. Para evitar cair nessa armadilha, vale investigar relatórios, certificações e a reputação da marca.

No fim das contas, a moda sustentável talvez não esteja apenas nas vitrines, mas também nas pequenas escolhas diárias de quem veste, cuida e reinventa o próprio guarda-roupa.

 

 

Quase todo mundo quer consumir moda de forma mais sustentável — mas poucos conseguem colocar isso em prática. Entenda por quê e veja caminhos possíveis. 🌿👗  #ModaSustentavel
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