Irmãs Gelli estreiam em São Paulo com mostra que transforma o tempo
Exposição une arte, performance e contemplação
Em uma cidade conhecida pelo ritmo acelerado, uma exposição decidiu propor o contrário: parar por alguns minutos e observar o tempo escorrer lentamente. Foi com essa proposta que as artistas cariocas Alice e Gabi Gelli, conhecidas como Irmãs Gelli, abriram sua primeira exposição individual em São Paulo. A mostra “Leva tempo, mas vai dar tempo” foi inaugurada no último sábado, 7 de março, na Casa Seva, na Vila Modernista, reunindo cerca de 80 convidados entre artistas, colecionadores e nomes da cena cultural.
Com curadoria de Catalina Bergues, integrante da equipe do Instituto Tomie Ohtake, a exposição apresenta 15 obras inéditas criadas a partir de materiais pouco convencionais, como cera ecológica, madeira de demolição e plástico reciclado de faróis de automóveis. O conjunto de trabalhos propõe reflexões sobre transformação, passagem do tempo e sustentabilidade, temas que atravessam a produção das artistas.
Um dos destaques da mostra é uma grande instalação performática composta por cerca de meia tonelada de cera, que ganha vida durante apresentações conduzidas pelas próprias artistas. Na abertura, Alice e Gabi realizaram duas sessões da performance, convidando o público a acompanhar um processo lento e quase hipnótico de criação.
Durante aproximadamente 20 minutos, as artistas manipulam blocos de cera com maçaricos, permitindo que o material se transforme gradualmente em formas inspiradas nas estalactites e estalagmites encontradas em cavernas naturais. O resultado é uma escultura em constante mutação, construída diante dos olhos do público.
Para Alice Gelli, a recepção na estreia superou as expectativas. “Ficamos muito felizes com a reação das pessoas. Depois de tanto trabalho, ver o espaço cheio logo no primeiro fim de semana e ouvir o retorno emocional do público foi muito especial”, afirmou.
A proposta da performance, segundo Gabi Gelli, é criar uma pausa em meio ao cotidiano urbano. “Hoje vivemos com o tempo muito fragmentado. Criar um espaço de 20 minutos de presença é um desafio enorme, mas muitas pessoas disseram que ficaram hipnotizadas observando o movimento da cera. Sentiram calma, e isso é muito significativo para nós”, comentou.
A noite de abertura reuniu diferentes nomes da cena cultural e social, como integrantes da família Chabonnières, fundadora da seguradora SulAmérica, o cantor Rodrigo Campos, a escritora Tatiana Nascimento e influenciadores digitais como Angélica Bucci, Victoria Yamagata e Guilherme Rainer.
Segundo Carolina Pileggi, diretora e fundadora da Casa Seva, a exposição também representa uma oportunidade de apresentar o trabalho das artistas a novos públicos. “Recebemos visitantes que já acompanhavam a trajetória delas, mas também pessoas que estavam tendo o primeiro contato com o trabalho e ficaram impressionadas”, afirmou.
O interesse se refletiu rapidamente no mercado: cerca de 70% das obras foram vendidas logo no dia da abertura. A mostra segue em cartaz até 18 de abril, com entrada gratuita, convidando o público a desacelerar — ainda que por alguns minutos — em meio à cidade que nunca para.
Uma exposição que convida a desacelerar: arte, cera em transformação e 20 minutos de pura contemplação. 🎨✨ #ArteContemporânea #ExposiçãoDeArte
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