Entre matéria e memória, Daniel Jorge transforma corpo em território no Rio
Mostra ocupa a CAIXA Cultural até abril
Ao atravessar as salas da CAIXA Cultural Rio de Janeiro, o visitante é convidado a abandonar mapas convencionais. Em seu lugar, surge um percurso guiado por sensações, materiais e vestígios. É nesse território simbólico que a exposição Geografias de um Corpo Bússola, de Daniel Jorge, se estabelece — como um convite à escuta do corpo e à leitura do mundo por outras direções.
A mostra, em cartaz até 19 de abril, reúne cerca de 50 obras e marca a primeira individual institucional do artista mineiro. Com curadoria de Thais Darzé, o conjunto apresenta um recorte consistente de uma produção que transita entre escultura, instalação e performance, articulando diferentes linguagens em uma mesma pulsação.
Daniel Jorge constrói sua obra a partir de deslocamentos. Nascido em Minas Gerais, formado no Rio de Janeiro e atualmente radicado em Salvador, ele transforma sua própria trajetória geográfica em método criativo. Esse percurso se revela nos materiais escolhidos — pedra-sabão, ferro oxidado, couro curtido e madeira carbonizada — que carregam não apenas textura, mas histórias e camadas simbólicas.
A exposição se organiza como um fluxo contínuo. Para o artista, trata-se de um “ato” em desdobramento, como um rio que se ramifica e encontra novos caminhos. As obras dialogam entre si, criando um campo de tensões e encontros onde o corpo aparece como eixo central — não fixo, mas em constante movimento.
A curadora Thais Darzé propõe uma leitura que amplia essa percepção. Segundo ela, o corpo-bússola apresentado por Jorge não aponta direções rígidas, mas responde às fricções entre memória, território e experiência. É um corpo que sente, registra e também questiona, tornando-se instrumento de leitura crítica do espaço e da história.
O Rio de Janeiro, cenário da mostra, não é apenas pano de fundo. Para o artista, a cidade influencia diretamente sua pesquisa, com suas camadas de contraste, margens e encontros. Essa relação se manifesta nas obras, que evocam tanto pertencimento quanto deslocamento.
Além da exposição, a programação inclui atividades que ampliam o diálogo com o público. Entre elas, visita guiada com o artista, oficina prática e encontros com pesquisadores, criando pontes entre criação, reflexão e troca.
Geografias de um Corpo Bússola não oferece respostas prontas. Em vez disso, propõe caminhos — alguns mais densos, outros mais sensoriais — onde cada visitante é convidado a construir sua própria cartografia.
CAIXA Cultural Rio de Janeiro
Rua do Passeio, 38 – Centro, Rio de Janeiro
Horário: Terça a sábado, 10h às 20h. Domingos e feriados, 11h às 18h.
Classificação: Livre
Entrada franca
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