Do barro à cena contemporânea: cerâmica ganha voz e espaço na FARGO
Encontro antecipa debates da feira em Goiânia
Do barro à cena contemporânea: cerâmica ganha voz e espaço na FARGO
Encontro antecipa debates da feira em Goiânia
Há algo de ancestral no gesto de moldar a terra. Entre as mãos, o barro deixa de ser matéria bruta e passa a contar histórias — de origem, de território, de identidade. Foi com essa atmosfera que o encontro “Pó da Terra, Cerâmica em Prosa” reuniu artistas, pesquisadores e público no Ateliê Karine Brasil, em Goiânia, antecipando o espírito da próxima edição da Feira de Arte Goiás (FARGO), marcada para maio.
Mais do que um aquecimento de programação, o encontro se firmou como espaço de escuta e reflexão sobre a cerâmica como linguagem artística em expansão. Mediado por Wanessa Cruz, diretora da FARGO, o debate percorreu desde as raízes indígenas e populares da técnica até sua presença cada vez mais consolidada no circuito contemporâneo. Em pauta, não apenas o fazer artístico, mas também o lugar simbólico e político dessa produção.
A cerâmica, que por séculos ocupou um lugar associado ao utilitário, hoje reivindica protagonismo nas galerias e feiras de arte. Nomes como Francisco Brennand ajudaram a expandir suas possibilidades, enquanto artistas como Antônio Poteiro eternizaram narrativas do cotidiano em formas vibrantes. Essa herança, longe de estática, segue sendo reinterpretada por novas gerações que transitam entre tradição e experimentação.
Durante o encontro, artistas como Carolina Caparelli, Karine Brasil, Rayssa Nasser e Leandro de Araújo compartilharam processos criativos e trajetórias, revelando a diversidade de caminhos possíveis dentro da linguagem. Para Wanessa Cruz, iniciativas como essa ampliam horizontes: aproximam o público, estimulam novos artistas e aprofundam o olhar de colecionadores e interessados.
Esse movimento dialoga diretamente com o crescimento da FARGO no cenário nacional. Criada em 2017, a feira vem consolidando Goiânia como um polo emergente das artes visuais, conectando artistas, galerias e curadores de diferentes regiões. Em 2025, o evento reuniu cerca de 20 mil visitantes, evidenciando um interesse crescente por produções fora do eixo tradicional Rio-São Paulo.
A edição de 2026 promete ampliar esse alcance. Ocupando o Centro Cultural Oscar Niemeyer entre os dias 13 e 17 de maio, a feira aposta na diversidade de linguagens e na valorização de artistas do Centro-Oeste. A cerâmica, ao que tudo indica, seguirá como um dos fios condutores dessa narrativa.
No fim, o barro continua o mesmo — o que muda é a forma como escolhemos escutá-lo.
Do barro à arte: a cerâmica vive um novo momento — e Goiânia está no centro dessa transformação. #ArteContemporanea #CulturaBrasileira
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