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“Narciso” chega aos cinemas e transforma mito clássico em jornada de identidade

Filme une fantasia, afeto e reflexão social

“Narciso” transforma mito clássico em uma narrativa sensível sobre identidade e pertencimento nos cinemas brasileiros. #Linkezine 🎬

“Narciso” chega aos cinemas e transforma mito clássico em jornada de identidade

Filme une fantasia, afeto e reflexão social

Há histórias que atravessam séculos e continuam a ecoar — não como repetição, mas como reinvenção. “Narciso”, novo longa de Jeferson De, chega aos cinemas brasileiros com esse impulso: revisitar um mito antigo para falar, com delicadeza e urgência, sobre identidade, pertencimento e escolhas no presente.

Depois de circular por festivais internacionais no Canadá, Estados Unidos e França, o filme estreou no Brasil em 19 de março, ocupando salas em mais de 20 cidades. No centro da narrativa está Narciso, interpretado por Arthur Ferreira, um menino negro que carrega uma ausência difícil de nomear: a de um lugar no mundo. Recém-devolvido por uma família adotiva, ele retorna a um lar temporário, onde afeto e instabilidade convivem no mesmo espaço.

É nesse cenário que a fantasia irrompe. Um presente improvável — uma bola de basquete com poderes mágicos — abre caminho para um encontro com um gênio, vivido por Seu Jorge. A promessa é simples e sedutora: realizar um desejo. Narciso pede uma nova família, rica, estável, aparentemente perfeita. Mas há uma condição: ele não poderá ver o próprio reflexo.

A partir daí, o filme constrói uma narrativa que flerta com o simbólico sem perder o chão da realidade. Livremente inspirado no mito grego e na estética de Caravaggio, “Narciso” articula luz e sombra — visuais e emocionais — para discutir o que significa se reconhecer. Ou, no caso do protagonista, o que acontece quando esse reconhecimento é negado.

O elenco amplia a potência do filme, reunindo nomes como Bukassa Kabengele, Ju Colombo e participações de Juliana Alves e Marcelo Serrado. Cada personagem ajuda a tensionar o percurso do menino, dividido entre o conforto material de uma nova vida e os vínculos afetivos que o formaram.

Mais do que uma fábula contemporânea, “Narciso” dialoga com questões estruturais da sociedade brasileira, como adoção, raça e pertencimento. Sem didatismo, o longa propõe perguntas que permanecem após os créditos: o que define uma família? O que estamos dispostos a abrir mão para sermos aceitos?

Ao final, a história não oferece respostas fáceis — e talvez esteja aí sua força. Como um espelho ausente, o filme convida o espectador a preencher os vazios com suas próprias reflexões.

E se realizar um desejo custasse enxergar quem você é? “Narciso” já está nos cinemas. #CinemaBrasileiro   #Filmes2026

 

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