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Entre números e resíduos: o desafio do Brasil na era do lixo zero

Baixa reciclagem expõe falhas e cobra transparência

Baixa reciclagem e falta de controle desafiam metas de lixo zero no Brasil. Transparência e dados auditáveis são essenciais. #Linkezine ♻️

Dig on the garbage Solid waste management

Entre números e resíduos: o desafio do Brasil na era do lixo zero

Baixa reciclagem expõe falhas e cobra transparência

No cotidiano das cidades, o lixo desaparece rápido — basta atravessar a porta de casa e seguir o fluxo invisível da coleta. Mas o destino final desses resíduos está longe de ser tão simples quanto parece. No Brasil, onde mais de 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos foram geradas recentemente, o caminho entre descarte e reaproveitamento ainda revela lacunas profundas.

No Dia Internacional do Lixo Zero, celebrado em 30 de março, os números ganham ainda mais peso. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, apenas 8,7% de todo esse volume é efetivamente reciclado. Enquanto isso, cerca de 34% dos resíduos seguem para destinos inadequados, como lixões e aterros controlados — um retrato que evidencia não apenas um problema ambiental, mas estrutural.

Diante desse cenário, o debate sobre sustentabilidade avança para além das promessas. Hoje, empresas e governos enfrentam uma cobrança crescente por resultados concretos, que possam ser medidos e verificados. A palavra-chave passa a ser rastreabilidade.

Para Fernando Bernardes, CEO da Central de Custódia, não há mais espaço para discursos genéricos. “Metas como ‘aterro zero’ só fazem sentido quando sustentadas por dados confiáveis. Sem rastreabilidade, o risco é inflar números que não resistem a auditorias”, afirma. A empresa atua justamente na verificação independente de resultados ligados à logística reversa, especialmente no caso de embalagens pós-consumo.

Os dados revelam nuances importantes. Segundo a base da Central de Custódia, cerca de 7,7% das embalagens recuperadas têm origem em municípios que ainda utilizam lixões. A informação levanta questionamentos sobre a qualidade desses fluxos e reforça a necessidade de olhar não apenas para o volume reciclado, mas também para a origem e o impacto social dessas cadeias.

Apesar de avanços recentes, como o crescimento no volume destinado à reciclagem, o sistema brasileiro ainda enfrenta entraves. A informalidade, a fragmentação das cadeias e a dificuldade de mensuração precisa tornam o processo menos eficiente e mais vulnerável a inconsistências.

Nesse contexto, a rastreabilidade surge como uma espécie de infraestrutura invisível do lixo zero. Mais do que tecnologia, ela representa um compromisso com transparência e credibilidade. Empresas que adotam sistemas auditáveis conseguem não apenas validar suas ações, mas também fortalecer sua posição no mercado.

Ao final, o desafio não está apenas em reduzir resíduos, mas em compreender, com clareza, o percurso de cada material descartado. Entre dados e decisões, o futuro do lixo zero no Brasil dependerá menos do que se promete — e mais do que se consegue provar.

 

O lixo não some — ele revela como a gente vive ♻️  #Sustentabilidade #Reciclagem

 

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