Sob o céu de Iguape, cinema vira encontro e estreia emociona multidão
Sob o céu de Iguape, cinema vira encontro e estreia emociona multidão
Pré-estreia reúne 2 mil pessoas em praça histórica
A noite caiu diferente em Iguape, no litoral sul de São Paulo. Entre o silêncio típico de cidades que guardam o tempo em suas ruas e o burburinho crescente na Praça da Basílica, algo raro estava prestes a acontecer: o cinema voltaria a ocupar o centro da vida coletiva — ainda que por algumas horas.
No último sábado, 28 de março, mais de 2 mil pessoas se reuniram ao ar livre para a pré-estreia de A Conspiração Condor, novo filme de André Sturm. Com telão montado e estrutura de som que ecoava pelas escadarias da catedral, o espaço se transformou em sala improvisada — e lotada. Famílias chegaram com cadeiras de praia, bancos e esteiras, desenhando um cenário que misturava expectativa e pertencimento.
A escolha da cidade não foi casual. Iguape serviu de locação para o longa, filmado em 2024, e recebeu a sessão como um gesto de retorno. Para muitos moradores, a experiência teve um significado ainda mais íntimo: alguns deles participaram como figurantes e se viram na tela pela primeira vez.
Presente na exibição, o diretor André Sturm destacou o impacto do momento. “Esperávamos cerca de 450 pessoas, mas o público foi muito além. Foi emocionante ver a cidade inteira mobilizada, ocupando um espaço que, no dia a dia, não tem acesso ao cinema”, afirmou. Iguape, de fato, não possui salas de exibição — o que transformou a sessão em um evento histórico.
Entre os espectadores, a professora aposentada Maria Aparecida Palazzo, de 68 anos, sintetizava esse sentimento. Sem frequentar uma sala de cinema desde 1982, ela viu na exibição uma oportunidade única. “Foi algo que a gente esperou com ansiedade. Saber que o Brasil inteiro vai ver um pouco da nossa cidade emociona”, contou.
O filme mergulha em um dos períodos mais delicados da história brasileira. Com narrativa de suspense político, investiga os bastidores das mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em circunstâncias controversas durante o regime militar. Na trama, a jornalista Silvana, interpretada por Mel Lisboa, conduz o público por essa investigação marcada por dúvidas e tensões.
O elenco reúne nomes como Dan Stulbach, Pedro Bial e Zé Carlos Machado, em uma produção assinada por Liz e Beatriz Reis. A estreia nacional está marcada para 9 de abril.
Mas, antes de chegar às salas comerciais, o filme já cumpriu um papel essencial: devolver à Iguape uma noite de cinema — e, com ela, a sensação de que histórias, quando compartilhadas, ganham ainda mais força.
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