Memória viva: sobrevivente do Holocausto inspira exposição inédita em São Paulo
Evento une relato pessoal e acervo histórico
Memória viva: sobrevivente do Holocausto inspira exposição inédita em São Paulo
Evento une relato pessoal e acervo histórico
Há memórias que atravessam o tempo em silêncio, guardadas entre documentos, fotografias e lembranças difíceis de revisitar. No próximo dia 12 de abril, o Museu Judaico de São Paulo (MUJ) abre espaço para que uma dessas histórias ganhe voz — e permanência. O evento “Ressignificando a vida” marca não apenas um encontro entre gerações, mas a incorporação de um acervo raro ao patrimônio histórico da instituição.
No centro da narrativa está Charlotte Goldsztajn Wolosker, sobrevivente do Holocausto, que participa de um bate-papo ao lado da filha, Silvia Wolosker Levi. É dela o livro recém-lançado “La Petite Charlotte: Memórias de Dor. Raízes de Amor”, que transforma lembranças familiares em registro literário. A conversa, mediada pelo cientista político André Lajst, propõe um mergulho sensível nas experiências vividas durante a Segunda Guerra Mundial, sob o olhar de quem atravessou o horror ainda na infância.
Mais do que palavras, o evento se constrói também por vestígios concretos da história. Parte dos documentos da família — agora doados ao museu — será apresentada em uma miniexposição inédita. Entre os itens, destacam-se um desenho feito em 1941 por Don Goldsztajn, pai de Charlotte, enquanto estava no campo de Pithiviers, na França, além de registros oficiais que documentam sua deportação para Auschwitz e sua trajetória como refugiado no pós-guerra.
Segundo a diretora de Acervo e Memória do MUJ, Roberta Sundfeld, o conjunto chama atenção pela origem pouco comum. Diferente da maioria dos registros associados à Alemanha ou à Polônia, esses documentos foram produzidos em território francês durante a ocupação nazista, ampliando a compreensão histórica sobre o período.
A proposta do encontro vai além da preservação: trata-se de conectar passado e presente. Em um contexto global em que discursos de intolerância voltam a ganhar espaço, a iniciativa reforça a importância da memória como ferramenta de conscientização.
Silvia destaca que transformar a trajetória da mãe em livro — e agora em acervo público — é um compromisso com as próximas gerações. Charlotte, por sua vez, resume o significado do momento com simplicidade e força: compartilhar sua história é uma forma de dar novo sentido à dor vivida.
Ao final, entre páginas autografadas e olhares atentos à exposição, o que permanece é a certeza de que lembrar também é um ato de resistência — e de reconstrução contínua.
Memórias que resistem ao tempo e agora ganham voz no presente. 🕊️ #MemoriaHistorica #NuncaEsquecer
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