Foundayo: novo comprimido para obesidade redefine disputa global por emagrecimento
Medicamento oral amplia acesso ao tratamento
Foundayo: novo comprimido para obesidade redefine disputa global por emagrecimento
Medicamento oral amplia acesso ao tratamento
A corrida global por tratamentos mais eficazes contra a obesidade ganhou um novo capítulo. A aprovação do Foundayo, medicamento oral desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, pela Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, marca uma mudança significativa no cenário terapêutico. Diferentemente de opções anteriores, que exigiam aplicações injetáveis, a nova medicação chega em formato de comprimido diário, prometendo praticidade e ampliando o acesso ao tratamento.
O princípio ativo do Foundayo, o orforglipron, atua no hormônio GLP-1, responsável pela regulação do apetite e da saciedade. Nos estudos clínicos, os resultados chamaram atenção: pacientes com sobrepeso e obesidade apresentaram redução entre 12% e 15% do peso corporal. A expectativa é que o medicamento comece a ser disponibilizado ainda em abril nos Estados Unidos, enquanto no Brasil o produto dependerá da avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A novidade também intensifica a disputa entre gigantes da indústria farmacêutica. A dinamarquesa Novo Nordisk, que já domina o mercado com medicamentos como Ozempic e Wegovy, agora enfrenta a concorrência direta de uma alternativa oral. A mudança de formato pode influenciar a adesão ao tratamento, especialmente entre pacientes que evitam aplicações injetáveis.
O avanço ocorre em um momento de crescimento expressivo da obesidade. Dados apresentados no Congresso Internacional sobre Obesidade (ICO) indicam que cerca de 48% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e outros 27% podem estar com sobrepeso até 2044. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a obesidade como uma doença crônica associada a diversas condições, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma: O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor, a chegada do comprimido representa um avanço importante, mas não deve ser interpretada como solução isolada. “O formato oral traz conveniência e pode ampliar o acesso, mas o tratamento continua exigindo acompanhamento médico e uma abordagem mais ampla”, explica.
Apesar dos resultados promissores, efeitos colaterais como náuseas e desconfortos gastrointestinais foram observados nos estudos. Por isso, especialistas reforçam que a medicação deve ser utilizada com orientação profissional e integrada a mudanças de estilo de vida.
Mais do que uma nova opção terapêutica, a aprovação do Foundayo reflete uma mudança no entendimento da obesidade. Reconhecida como doença crônica e multifatorial, ela exige estratégias contínuas e personalizadas. Nesse cenário, o novo comprimido surge como mais uma ferramenta — não como resposta definitiva — em uma jornada que continua evoluindo.
Um comprimido, uma nova disputa global e mais possibilidades no tratamento da obesidade.
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