Titãs revivem fúria de “Cabeça Dinossauro” em show no Rio
Turnê celebra 40 anos de álbum histórico
Titãs revivem fúria de “Cabeça Dinossauro” em show no Rio
Turnê celebra 40 anos de álbum histórico
Há discos que não envelhecem — apenas aguardam o momento certo para voltar a fazer barulho. Em 2026, “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs, completa quatro décadas e retorna ao centro da cena com a mesma urgência que marcou seu lançamento em 1986. No dia 9 de maio, o trio formado por Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto sobe ao palco do Qualistage, no Rio de Janeiro, para revisitar o álbum que redefiniu os rumos do rock brasileiro.
Naquele Brasil recém-saído da ditadura, ainda tateando os limites da liberdade, o disco surgiu como um choque. Letras diretas, quase cortantes, abordavam temas como repressão, religião e violência institucional. Faixas como “Polícia”, “Igreja” e “Bichos Escrotos” não pediam licença — eram um retrato cru de uma geração inquieta. Produzido por Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt, o álbum apostou em uma sonoridade seca, agressiva e minimalista, que rompia com padrões e estabelecia um novo vocabulário musical.
Quarenta anos depois, o contexto mudou, mas a sensação de tensão social permanece familiar. É nesse ponto que a turnê “Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos” encontra sua força: não se trata apenas de nostalgia, mas de atualização. “Inventamos ali nosso vocabulário”, relembra Sérgio Britto, destacando os riffs marcantes e as letras sintéticas como pilares de uma identidade que ainda ecoa. Tony Bellotto resume o espírito da celebração: a emoção de ver um trabalho seguir relevante após tanto tempo.
O espetáculo, dirigido por Otávio Juliano, aposta em uma experiência que dialoga com passado e presente. Juliano, que já assinou projetos com nomes como Caetano Veloso e Maria Bethânia, retorna à parceria com os Titãs após o sucesso da turnê “Titãs Encontro”. A expectativa é de um show que vá além da execução fiel do repertório, explorando também a potência simbólica do álbum.
A realização é da 30e, empresa que vem se consolidando como uma das principais forças do entretenimento ao vivo no país. Para Alexandre Wesley, executivo da companhia, a turnê nasce da necessidade de celebrar um marco incontornável da música brasileira. Já o Itaú, que apresenta o projeto, reforça sua estratégia de atuação cultural, buscando ampliar o acesso e criar experiências memoráveis para o público.
Mais do que um show, o retorno de “Cabeça Dinossauro” aos palcos parece funcionar como um lembrete: certas perguntas continuam sem resposta, e algumas vozes seguem necessárias. No Rio, por uma noite, o passado promete soar alto — e estranhamente atual.
40 anos depois, o grito ainda ecoa. Titãs no Rio 🎸🔥 #RockBrasileiro #Titãs
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