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“Papagaios” chega a Curitiba e expõe a fome por fama em tom ácido e provocador

Filme premiado estreia nos cinemas dia 23

“Papagaios” estreia nos cinemas com crítica ácida sobre fama e exposição midiática. #Linkezine 🎬

“Papagaios” chega a Curitiba e expõe a fome por fama em tom ácido e provocador

Filme premiado estreia nos cinemas dia 23

Na penumbra elegante do Cine Passeio, em Curitiba, a noite da última quarta-feira (15) teve algo de ritual contemporâneo: luz baixa, tela acesa e um público curioso diante de uma história que fala, justamente, sobre o desejo de ser visto. Foi ali que o ator Gero Camilo e o cineasta Douglas Soares apresentaram, em pré-estreia, o longa “Papagaios”, uma sátira social que mira direto na obsessão pela visibilidade.

Premiado com quatro Kikitos no Festival de Gramado, o filme chega aos cinemas no dia 23 de abril carregando não apenas troféus, mas uma provocação incômoda: até onde alguém é capaz de ir por alguns segundos diante das câmeras?

Na trama, Gero Camilo interpreta Tunico, figura quase folclórica do Rio de Janeiro e autoproclamado mestre dos “papagaios de pirata” — aqueles personagens que surgem ao fundo de reportagens televisivas, buscando um enquadramento, um gesto, um instante de reconhecimento. Tunico vive disso. Ou melhor: vive para isso.

Tudo muda quando ele cruza o caminho de Beto, vivido por Ruan Aguiar, jovem enigmático que se torna seu aprendiz. A relação entre os dois conduz o espectador por um território onde humor e tensão caminham lado a lado. O que começa como uma espécie de iniciação ao universo da exposição midiática rapidamente revela camadas mais sombrias — e perturbadoras.

Douglas Soares, que também assina o roteiro, constrói uma narrativa que flerta com o suspense sem abandonar o tom crítico. Em um país com milhões de televisores ligados diariamente, como ele mesmo pontua, a busca por visibilidade ganha contornos quase existenciais.

O elenco amplia esse universo com nomes como Leo Jaime, Claudete Troiano e Babi Xavier, compondo um mosaico de personagens que orbitam essa engrenagem midiática. A estética do filme, premiada em Gramado, reforça o desconforto: há sempre algo fora do lugar, como se a realidade estivesse ligeiramente deslocada.

A sessão em Curitiba terminou com aplausos, autógrafos e um bate-papo que estendeu a experiência para além da tela. Mas a sensação que permanece é menos confortável do que festiva. “Papagaios” não oferece respostas fáceis — prefere deixar perguntas no ar, ecoando como uma transmissão que insiste em não sair do ar.

No fim, talvez a maior ironia seja essa: em um mundo onde todos querem aparecer, o filme convida a refletir sobre o custo de ser visto.

 

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