Entre tecidos e traços, duas exposições transformam silêncio em linguagem
Mostras inéditas ocupam galeria em São Paulo
Entre tecidos e traços, duas exposições transformam silêncio em linguagem
Mostras inéditas ocupam galeria em São Paulo
Ao atravessar a porta da Galeria Luisa Strina, em São Paulo, o visitante entra em um território onde o tempo não se mede em horas, mas em matéria. Tecidos antigos, marcas quase invisíveis e desenhos que parecem sussurrar ideias compõem um percurso que convida menos à pressa e mais à contemplação. Em cartaz até 16 de maio, duas exposições inéditas aproximam universos distintos — e, ao mesmo tempo, profundamente conectados.
De um lado, “A dignidade da matéria” marca a primeira individual no Brasil do frade franciscano e artista Sidival Fila. Radicado há quatro décadas em Roma, o paranaense constrói sua obra a partir de fragmentos de tecidos históricos: linhos do século XVIII, brocados religiosos, sedas e tramas artesanais vindas de diferentes partes do mundo. Mais do que reutilizar materiais, Fila investiga o que permanece neles.
Seu gesto não busca restaurar, mas revelar. Ao esticar, costurar ou simplesmente expor essas superfícies, o artista ativa memórias silenciosas. São marcas de uso, oxidações e imperfeições que carregam histórias invisíveis, agora reposicionadas no presente. Como observa o crítico Giancarlo Hannud, há nesse processo uma espécie de “humanismo silencioso”, em que a matéria, desprovida de função, encontra uma nova dignidade.
Do outro lado da galeria, “Um tumulto de titubeios”, do colombiano Bernardo Ortiz, segue um caminho aparentemente oposto — mas igualmente introspectivo. Aqui, o foco está no desenho como pensamento em movimento. Ortiz não busca representar o mundo de forma direta, mas explorar aquilo que escapa ao olhar imediato.
Seus trabalhos incorporam erros, manchas e transformações do próprio suporte. O papel deixa de ser neutro, tornando-se parte ativa da narrativa. A curadora Ximena Gama destaca que, para o artista, desenhar é revelar o que normalmente não se vê. Assim, cada obra se constrói na tensão entre controle e acaso, entre intenção e descoberta.
Entre tecidos que guardam o passado e desenhos que investigam o presente, a exposição propõe um diálogo sensível sobre permanência e percepção. Não há respostas prontas, nem caminhos únicos. O que existe é um convite: olhar com mais atenção para aquilo que, à primeira vista, parece silencioso.
Ao final do percurso, fica a sensação de que tanto a matéria quanto o traço carregam algo em comum — ambos insistem em permanecer, mesmo quando tudo ao redor muda.
Entre fios, traços e silêncios — a arte que pede um olhar mais lento. 🎨 #ArteContemporanea
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