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“Não existe Chico sem Matilde” inspira edição especial do Margem da Palavra

Evento destaca mulheres negras na história

Evento no Dragão do Mar resgata a força de Matilde e de mulheres negras na história. #Linkezine ✊🏾

“Não existe Chico sem Matilde” inspira edição especial do Margem da Palavra

Evento destaca mulheres negras na história

Em abril, quando o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura celebra mais um ano de existência, a memória ganha novas camadas — menos óbvias, mais profundas. No dia 22, o programa Margem da Palavra ocupa o Minianfiteatro com um convite direto: revisitar a história a partir de quem quase nunca esteve no centro dela. O tema, “Não existe Chico sem Matilde”, funciona como chave de leitura e, ao mesmo tempo, como provocação.

A proposta parte da figura de Matilde Maria da Conceição, mãe de Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. Embora o nome do filho tenha atravessado gerações como símbolo da luta abolicionista no Ceará, a trajetória da mãe permaneceu diluída nos silêncios da história oficial. Agora, ela retorna como eixo simbólico para discutir o protagonismo de mulheres negras nas lutas sociais e antirracistas no Brasil.

Integrando a programação dos 27 anos do Dragão do Mar, o encontro articula literatura, oralidade e pensamento crítico. A ideia é simples na forma, mas potente no alcance: ampliar as possibilidades de leitura de mundo a partir de narrativas que foram historicamente invisibilizadas. Nesse movimento, as “Matildes” deixam de ser figura de apoio e passam a ocupar o centro do debate.

Para conduzir essa reflexão, o programa reúne duas vozes de destaque no cenário contemporâneo. A escritora Cidinha da Silva, com uma obra consolidada que atravessa gêneros e investiga as relações raciais no Brasil, traz ao encontro sua experiência literária e ensaística. Ao seu lado, a professora e autora Bárbara Carine amplia o diálogo com uma perspectiva que conecta educação, ativismo e produção acadêmica, reforçando a urgência de práticas antirracistas no cotidiano.

Mais do que um debate, o encontro se desenha como espaço de escuta e reconstrução simbólica. Ao evocar Matilde, o programa aponta para uma dimensão coletiva: mulheres negras que, ao longo da história, sustentaram trajetórias, territórios e movimentos, muitas vezes sem reconhecimento formal. A memória, aqui, deixa de ser estática e passa a operar como ferramenta de transformação.

A noite ainda se expande para além da palavra falada. A DJ Lolost assume a trilha sonora antes e depois do evento, conectando música, território e identidade em uma mistura que dialoga com as vivências da juventude preta e LGBTQIAP+ de Fortaleza.

Entre lembranças, silêncios e reescritas, o Margem da Palavra propõe mais do que revisitar o passado. Sugere, sobretudo, que novas narrativas são possíveis — e necessárias.

 

Toda história tem um nome que ficou de fora — chegou a hora de ouvir Matilde ✨ #CulturaBrasileira #LiteraturaNegra

 

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