Quando comer vira desafio: o impacto da seletividade alimentar no TEA
Famílias enfrentam rotina intensa à mesa
Quando comer vira desafio: o impacto da seletividade alimentar no TEA
Famílias enfrentam rotina intensa à mesa
No silêncio que antecede o jantar, muitas famílias vivem uma tensão invisível. O prato está posto, o cuidado no preparo é evidente, mas a refeição, que deveria unir, se transforma em um campo de resistência. Para quem convive com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a seletividade alimentar não é apenas uma fase — é um desafio diário que exige estratégia, paciência e, sobretudo, compreensão.
A recusa alimentar, comum em parte das crianças com TEA, vai além de preferências simples. Trata-se de uma relação complexa com o alimento, marcada por hipersensibilidades a texturas, cheiros e temperaturas. Não é raro que a criança rejeite grupos inteiros de alimentos ou reaja com desconforto intenso diante de algo novo no prato. O resultado é uma rotina desgastante, que impacta diretamente a saúde e a dinâmica familiar.
De acordo com a fonoaudióloga Juliana Menezes, diretora técnica da Affect Centro Clínico e Educacional, essa seletividade tem raízes sensoriais e pode — e deve — ser trabalhada. “Quanto mais precoce for a intervenção, maiores são as chances de ampliar o repertório alimentar e tornar a alimentação um processo mais natural”, explica.
A abordagem, no entanto, não é simples nem isolada. Envolve uma atuação conjunta de diferentes áreas, como nutrição, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia. Esse olhar multidisciplinar permite identificar as barreiras específicas de cada criança e desenvolver estratégias personalizadas.
Entre os métodos utilizados, a chamada cozinha terapêutica ganha destaque. Nela, o alimento deixa de ser apenas algo a ser consumido e passa a ser explorado. Com apoio de profissionais e até chefs de cozinha, as crianças participam do preparo, experimentam texturas e constroem uma relação mais amigável com a comida.
Outro recurso que tem mostrado resultados é a horta terapêutica. Ao acompanhar o ciclo do alimento — do plantio à colheita — a criança se aproxima do processo de forma lúdica. Essa vivência transforma o alimento em algo familiar, reduzindo resistências e despertando curiosidade.
A fisioterapeuta Rafaela Campos reforça que o trabalho não termina na clínica. “A participação da família é essencial. As estratégias precisam continuar em casa para que haja progresso real”, afirma. Iniciativas como oficinas e projetos de estimulação precoce também ajudam a criar um ambiente positivo e acolhedor para o desenvolvimento dessas habilidades.
No fim das contas, cada pequena conquista à mesa carrega um significado maior. Mais do que comer, trata-se de construir autonomia, conforto e novas possibilidades — uma garfada de cada vez.
Quando o alimento vira desafio, cada avanço merece ser celebrado. 🍴💙 #Autismo
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