De Niemeyer a Milão: concreto brasileiro ganha forma leve no design
Coleção traduz arquitetura em mobiliário contemporâneo
De Niemeyer a Milão: concreto brasileiro ganha forma leve no design
Coleção traduz arquitetura em mobiliário contemporâneo
Em Milão, onde o design dita tendências e antecipa futuros, o Brasil chega com curvas. Não as de um gesto improvisado, mas aquelas que carregam história, paisagem e assinatura. É nesse cenário que a designer Daniela Ferro apresenta a coleção “Canoas”, um encontro entre arquitetura moderna e experimentação material que reposiciona o concreto no imaginário contemporâneo.
A estreia acontece no Salão do Móvel de Milão, entre os dias 21 e 26 de abril, dentro do Projeto Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil. Em meio a nomes globais, a coleção se destaca ao revisitar um ícone: a Casa das Canoas, projetada por Oscar Niemeyer em 1951. Suas linhas orgânicas e a integração com o entorno natural são traduzidas em peças que habitam o cotidiano.
Mesas de centro e uma mesa lateral compõem a linha, que desafia a rigidez tradicional do concreto. Aqui, o material assume uma presença inesperada: mais fluida, quase tátil. As formas irregulares e as bases esculturais evocam movimento, enquanto elementos como vidro laminado e aço corten ampliam o diálogo entre peso e leveza.
O projeto não se limita à estética. Há uma inteligência construtiva que sustenta o desenho. Desenvolvida em parceria com a marca Traço, especializada em mobiliário em concreto, a coleção aposta em soluções que otimizam moldes e permitem diferentes composições no ambiente. A mesa lateral, por exemplo, surge como peça versátil, transitando entre usos e espaços com naturalidade.
Essa tradução entre arquitetura e objeto só se concretiza — literalmente — com pesquisa. O concreto utilizado incorpora materiais granulados e elementos inesperados, como a concha do sururu, resíduo reaproveitado que adiciona brilho e textura às superfícies. De perto, cada peça revela pequenas variações, quase como uma paisagem em miniatura.
A sustentabilidade atravessa o projeto sem alarde, mas com precisão. O uso de cimento de baixa emissão e a presença majoritária de materiais reciclados apontam para uma produção mais consciente, alinhada às discussões globais sobre impacto ambiental no design.
Para Daniela Ferro, o desafio esteve em tensionar limites. Traduzir a fluidez da arquitetura brasileira em objetos exigiu não apenas domínio técnico, mas também sensibilidade para preservar a essência do traço original.
O resultado é um conjunto que carrega mais do que função. Em Milão, entre tendências e discursos, o concreto brasileiro encontra um novo lugar — menos rígido, mais expressivo. E, talvez, mais próximo daquilo que sempre foi: matéria em movimento.
Do concreto à poesia: o Brasil desenha curvas em Milão. #DesignBrasileiro #SaloneDelMobile
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