Entre ondas e vazios, exposição transforma arquitetura em alerta climático
Mostras unem arte, ciência e experiência sensorial
Entre ondas e vazios, exposição transforma arquitetura em alerta climático
Mostras unem arte, ciência e experiência sensorial
Há lugares que não se visitam apenas com os olhos. A partir de 25 de abril, a Casa de Cultura do Parque se torna um desses espaços onde a percepção é convocada por inteiro. Em meio à programação do projeto Dando Bandeira, duas exposições ocupam o edifício com propostas que atravessam arte, ciência e inquietação contemporânea.
Logo na entrada, o visitante é convidado a imaginar — ou quase sentir — a água avançando. Em “A Grande Onda” (No Deck), a artista multimídia Raquel Garbelotti, em colaboração com o arquiteto Murillo Paoli, transforma a estrutura do espaço em um cenário virtual submerso. Por meio de um vídeo em 3D, a arquitetura é reinterpretada como se estivesse sendo lentamente invadida por uma força silenciosa e inevitável.
A obra parte de uma base técnica precisa. Ferramentas utilizadas para prever comportamentos estruturais em contextos científicos são deslocadas para o campo artístico, criando uma experiência que mistura cálculo e sensibilidade. O resultado não é apenas visual: o som da água, ecoando pelo ambiente, reforça a sensação de um acontecimento iminente — ou talvez já ocorrido.
Com texto crítico de Fernanda Pitta, o trabalho propõe mais do que uma simulação. Ele opera como uma espécie de investigação aberta, em que o público assume o papel de observador de um evento hipotético. Entre dados e projeções, a crise climática ganha corpo, deixando de ser apenas estatística para se tornar experiência.
Do lado de fora, a fachada da Casa também se transforma. Em “Vazante”, Iara Freiberg apresenta novas bandeiras que exploram tensões visuais entre presença e ausência, transparência e opacidade. Suas intervenções dialogam com o espaço urbano e convidam à contemplação de vazios — físicos e simbólicos. A artista propõe uma pergunta sutil, mas persistente: o que, de fato, estamos vendo?
A programação se amplia com a performance “Zumbido”, marcada para o dia 25 de abril. Criada por João Machado em parceria com Daniel Magnani e Rodrigo Netto, a apresentação mergulha o público no universo sonoro das abelhas nativas brasileiras. Com gravações manipuladas ao vivo, a obra sugere uma escuta atenta ao papel desses polinizadores na sustentação da vida.
Juntas, as exposições constroem uma narrativa que não se encerra nas paredes do espaço. Entre a água que avança e os vazios que permanecem, o visitante sai com a sensação de que o futuro — ainda que projetado — já começou a se desenhar.
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 – Alto de Pinheiros
São Paulo – SP, 05461-010
Quarta a domingo, das 11h às 18h
11 3811 9264
ccparque.com.br
E se o espaço ao seu redor começasse a mudar — você perceberia? #ArteContemporanea #CriseClimatica
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