MASP desafia a gravidade com mostra inédita de Damián Ortega
Exposição reúne obras que reinventam objetos cotidianos
MASP desafia a gravidade com mostra inédita de Damián Ortega
Exposição reúne obras que reinventam objetos cotidianos
Há algo de desconcertante ao entrar em um espaço onde os objetos parecem ter abandonado sua função original — e, mais ainda, a própria gravidade. É essa sensação que o Museu de Arte de São Paulo (MASP) propõe ao público com Damián Ortega: matéria e energia, mostra que ocupa o museu entre 15 de maio e 13 de setembro, reunindo três décadas de produção do artista mexicano.
Pela primeira vez na América do Sul, a exposição apresenta um panorama consistente da obra de Ortega, conhecido por transformar elementos comuns em experiências visuais e conceituais. São 35 trabalhos que transitam entre escultura, instalação, fotografia e vídeo, compondo um percurso onde o cotidiano é desmontado — literalmente — para ser revisto sob novas perspectivas.
O ponto de maior impacto talvez seja Cosmic Thing (2002), exibida pela primeira vez no Brasil. Nela, um fusca é completamente desmontado e suspenso no espaço, com suas peças organizadas como se flutuassem em um diagrama tridimensional. O resultado é ao mesmo tempo técnico e poético: um ícone da indústria automobilística latino-americana se transforma em reflexão sobre memória, consumo e transformação.
A escolha do fusca não é acidental. Popular tanto no Brasil quanto no México, o carro carrega significados que vão além da mobilidade. Ele evoca ideias de progresso, pertencimento e também de desgaste — um objeto que já foi símbolo de futuro e hoje dialoga com a obsolescência.
Outro destaque é Controller of the Universe (2007), instalação que reúne ferramentas como serras, pás e martelos em uma composição que sugere uma explosão congelada no tempo. A obra dialoga diretamente com o mural de Diego Rivera, reinterpretando o entusiasmo industrial sob uma ótica mais crítica e fragmentada.
A curadoria, assinada por Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Yudi Rafael, constrói uma narrativa que aproxima arte, ciência e arquitetura. Ortega trabalha com forças invisíveis — equilíbrio, tensão, energia — e transforma esses conceitos em matéria palpável, explorando desde estruturas microscópicas até escalas quase cósmicas.
Em trabalhos como Monster (2019), feito com restos de construção, o artista volta seu olhar para as cidades latino-americanas, revelando a potência estética de materiais frequentemente ignorados. Tijolos, azulejos e concreto deixam de ser apenas suporte para se tornarem linguagem.
Inserida na programação dedicada às histórias latino-americanas, a mostra reforça o papel do MASP como espaço de reflexão sobre identidade e território. Ao revisitar objetos comuns, Ortega propõe algo maior: uma nova forma de observar o mundo.
Ao sair da exposição, fica a impressão de que nada está exatamente no lugar — e talvez essa seja, justamente, a intenção MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)
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